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Petrobras adia por 60 dias emissão de R$ 3 bi em debêntures

Decisão, que acontece após a estatal rever os planos de abertura de capital da BR Distribuidora, atesta sua dificuldade para conseguir financiamento

Com pouca demanda e sob risco de não conseguir arrecadar o montante necessário, a Petrobras adiou por 60 dias a emissão de 3 bilhões de reais em debêntures — títulos de dívidas utilizados por empresas para captar dinheiro no mercado. A decisão, que acontece após a estatal rever os planos de abertura de capital da BR Distribuidora, atesta sua dificuldade para conseguir financiamento.

Os investidores, principalmente aqueles ligados a grandes fundos e bancos, consideraram as condições pouco atrativas diante da desconfiança com a capacidade de a estatal arcar com as altas dívidas. As desconfianças com as “fracas” garantias de crédito e a “vulnerabilidade” da companhia frente aos preços internacionais, levaram a agência Fitch a colocar a nota da estatal em perspectiva negativa.

Na avaliação da agência, a Petrobras ainda segue com grau de investimento, com nota BBB-, o último nível antes do grau especulativo. A percepção da agência é que, apesar da “importância estratégica” e liderança no mercado doméstico, a estatal está fragilizada com a ingerência política, o endividamento e a variação de preços internacionais. Nesta quinta-feira, a cotação do óleo Brent voltou a ficar abaixo de 50 dólares.

A pouca credibilidade sobre o endividamento da companhia também pesou para os investidores, que não demonstraram interesse em novos títulos da Petrobras. Fontes próximas à operação de emissão de debêntures avalia que a demanda teria ficado próximo a 2 bilhões de reais. A estatal queria levantar 3 bilhões de reais, que seriam usados para obras do Comperj e para a produção de campos do pré-sal e da Cessão Onerosa. A percepção é que o retorno proposto pela estatal estava aquém do risco oferecido pelos títulos.

O cenário adverso do mercado de capitais foi a justificativa da estatal para o adiamento da emissão por 60 dias. Para mudar as condições da oferta, consideradas pouco atrativas, a estatal teria que esperar a apresentação do balanço trimestral e aprovar as novas condições no conselho de administração, conforme regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Se a oferta for retomada, será aberto novo prazo para apresentação dos pedidos”, informou a companhia.

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(Com Estadão Conteúdo)