Pessimismo cresce, e projeções já indicam retração do PIB em 2017

Em setembro, analistas previam crescimento da economia de 1,3%, em média; agora, estimativas chegam a falar em encolhimento de 1%

Por Da redação - 13 dez 2016, 20h41

O fim do turbulento ano de 2016 poderia ser um momento de refresco para as análises econômicas, mas, para uma parcela crescente do mercado financeiro, o alívio tem dado lugar à apreensão. A percepção de que os desdobramentos da Operação Lava Jato voltaram a ameaçar a sustentação política do governo Michel Temer, o que afeta diretamente a confiança na economia, tem feito surgir projeções que falam em retração de até 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017.

Caso essas leituras mais pessimistas se confirmem, o Brasil emendaria uma sequência inédita de três anos de retração econômica. Em 2015, o PIB brasileiro encolheu 3,8%. Neste ano, a retração deve ser de 3,5%.

“Para 2017, estamos com projeção de queda de 0,2% do PIB. Antes, projetávamos alta de 1%”, afirma o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria. A percepção piorou nas últimas semanas, segundo ele, após a divulgação do PIB do terceiro trimestre, quando houve retração de 0,8% da economia.

O recrudescimento da crise política, que trava investimentos em vários setores, também está no centro da mudança – para pior – das projeções. “É difícil você pensar em alguém querendo expandir capacidade, fazer grandes investimentos, em um país em que você não sabe quem será o presidente até 2018”, diz o economista. “Ninguém quer se comprometer.”

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O Banco Central divulga toda semana o Boletim Focus, com previsões de uma centena de economistas para indicadores da economia como inflação, juros e produção industrial. Na edição da última segunda-feira, o Focus trouxe previsão média de crescimento de 0,7% em 2017 – há um mês, a previsão era, em média, de crescimento de 1,13%. Nas previsões colhidas para o boletim desta semana, houve apostas até de retração de 0,95% no próximo ano.

A Tendências Consultoria Integrada também enxerga um quadro difícil para 2017 por causa da política – embora, até o momento, a consultoria ainda projete leve crescimento econômico. “Mudamos recentemente a expectativa do ano que vem de avanço de 1,5% do PIB para alta de 0,7%. E mesmo esse cenário é desafiador”, afirma o economista Silvio Campos Neto. “Não será fácil obter um crescimento deste nas condições atuais.”

As projeções de encolhimento da economia brasileira em 2017 chegaram a circular nos primeiros meses deste ano, ainda durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. O quadro mudou paulatinamente a partir de maio, quando começou o governo interino do agora presidente efetivo Michel Temer. Em setembro, o Boletim Focus trouxe a previsão mais elevada para o PIB do próximo ano, de crescimento de 1,38%.

(Com Estadão Conteúdo)

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