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Pessimismo cresce, e projeções já indicam retração do PIB em 2017

Em setembro, analistas previam crescimento da economia de 1,3%, em média; agora, estimativas chegam a falar em encolhimento de 1%

O fim do turbulento ano de 2016 poderia ser um momento de refresco para as análises econômicas, mas, para uma parcela crescente do mercado financeiro, o alívio tem dado lugar à apreensão. A percepção de que os desdobramentos da Operação Lava Jato voltaram a ameaçar a sustentação política do governo Michel Temer, o que afeta diretamente a confiança na economia, tem feito surgir projeções que falam em retração de até 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017.

Caso essas leituras mais pessimistas se confirmem, o Brasil emendaria uma sequência inédita de três anos de retração econômica. Em 2015, o PIB brasileiro encolheu 3,8%. Neste ano, a retração deve ser de 3,5%.

“Para 2017, estamos com projeção de queda de 0,2% do PIB. Antes, projetávamos alta de 1%”, afirma o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria. A percepção piorou nas últimas semanas, segundo ele, após a divulgação do PIB do terceiro trimestre, quando houve retração de 0,8% da economia.

O recrudescimento da crise política, que trava investimentos em vários setores, também está no centro da mudança – para pior – das projeções. “É difícil você pensar em alguém querendo expandir capacidade, fazer grandes investimentos, em um país em que você não sabe quem será o presidente até 2018”, diz o economista. “Ninguém quer se comprometer.”

O Banco Central divulga toda semana o Boletim Focus, com previsões de uma centena de economistas para indicadores da economia como inflação, juros e produção industrial. Na edição da última segunda-feira, o Focus trouxe previsão média de crescimento de 0,7% em 2017 – há um mês, a previsão era, em média, de crescimento de 1,13%. Nas previsões colhidas para o boletim desta semana, houve apostas até de retração de 0,95% no próximo ano.

A Tendências Consultoria Integrada também enxerga um quadro difícil para 2017 por causa da política – embora, até o momento, a consultoria ainda projete leve crescimento econômico. “Mudamos recentemente a expectativa do ano que vem de avanço de 1,5% do PIB para alta de 0,7%. E mesmo esse cenário é desafiador”, afirma o economista Silvio Campos Neto. “Não será fácil obter um crescimento deste nas condições atuais.”

As projeções de encolhimento da economia brasileira em 2017 chegaram a circular nos primeiros meses deste ano, ainda durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. O quadro mudou paulatinamente a partir de maio, quando começou o governo interino do agora presidente efetivo Michel Temer. Em setembro, o Boletim Focus trouxe a previsão mais elevada para o PIB do próximo ano, de crescimento de 1,38%.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Só em Rio Grande cidade do RS, foram demitidos nessa segunda-feira 3.200 trabalhadores da construção naval. A Engevix alega que teve que demitir pois o rombo no caixa da empresa é de ¨bilhões ou seja quase dois bilhoes de dólares. A vaquinha Barrosa secou, roubaram até o pasto.
    Em Rio Grande, RS a Engevix demitiu nessa segunda 3,2 mil trabalhadores, em em projeto que deveria durar 20 anos. O rombo no caixa, ou no casco pois a empresa opera com plataformas marítima é de 2 bilhões de dólares ou 6 bilhões de reais. A cidade ´afundou junto. A barrosa secou, roubaram até o pasto.

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  2. O problema é o eleitor brasileiro que sempre se deixa enganar pelo mimimi de justiça social e igualdade da esquerda. Foi a esquerda que deixou o Brasil na beira do abismo e é exactamente a esquerda que agora quer posar como salvadora da pátria. Quando vejo pesquisas com Dilma e Lula na frente de um primeiro turno eu sei de uma coisa: O Brasil nâo tem soluçâo !

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  3. Enquanto não houver uma desestatização drástica da economia este país não cresce, a população vai aprender por bem ou por mal que o estado não é a solução, é o problema.

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  4. Devemos ser otimistas. Estamos na metade da ponte e tem gente puxando a corda para trás.

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