Alta em NY: O que o desempenho do EWZ tem a ver com novas pesquisas e eleições
Ativo negociado em Nova York e composto por ações brasileiras, avançou após pesquisa apontar Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula
O mercado financeiro começou a incorporar com mais intensidade o cenário eleitoral brasileiro aos preços dos ativos, e um dos reflexos aparece em Nova York. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, vem sendo beneficiado pela reprecificação das expectativas em torno da eleição presidencial de outubro operando em alta de 1,78%.
A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta terça-feira, 08, colocou Flávio à frente de Lula pela primeira vez na série em uma simulação de segundo turno: 46% contra 45%. A diferença, porém, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a valorização do EWZ é resultado de uma combinação de fatores, mas o cenário eleitoral passou a ter peso relevante na formação dos preços. “A alta do EWZ tem uma combinação de fatores. Esse ETF funciona como uma das principais portas de entrada do investidor internacional para o mercado brasileiro e possui exposição relevante a bancos, energia e mineração. Portanto, ele está se beneficiando ao mesmo tempo da recuperação da Bolsa brasileira, da valorização do real e do bom desempenho das commodities”, afirma.
Atualmente, o fundo tem exposição de 35,75% ao setor financeiro, 15,68% a energia e 13,61% a materiais, segundo dados da BlackRock. Isso faz com que o desempenho do ETF seja particularmente sensível à percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil. Quando aumenta o apetite por ativos brasileiros, a valorização pode aparecer simultaneamente nas ações que compõem o fundo e no câmbio.
Foi exatamente esse movimento que ganhou força no início de setembro. No dia 2, após a divulgação de uma pesquisa Quaest que mostrou Lula e Flávio tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, o EWZ avançou 4,16%, enquanto o ETF de mercados emergentes EEM subiu apenas 0,57%. Na mesma sessão, o Ibovespa saltou 3,05%, aos 185.205 pontos.
Segundo Murad, a lógica por trás da reação é a expectativa de que uma eleição mais competitiva possa alterar a percepção sobre a condução econômica do país. “O cenário eleitoral também passou a ter um peso importante nessa reprecificação. A pesquisa divulgada hoje reforça a percepção de uma eleição mais competitiva. Embora o resultado do segundo turno esteja tecnicamente empatado, o mercado trabalha com probabilidades e começou a incorporar uma possibilidade maior de mudança na condução da política econômica e, principalmente, de maior disciplina fiscal”, diz.
Para o consultor, quando essa percepção melhora, o prêmio de risco exigido pelos investidores para manter exposição ao Brasil tende a cair, favorecendo simultaneamente ações, câmbio e juros.
Por que o EWZ reage tanto?
Há uma particularidade importante para entender o movimento. Para o investidor americano, apostar no EWZ significa comprar exposição às empresas brasileiras em dólar. Dessa forma, uma melhora do cenário doméstico pode gerar dois efeitos positivos ao mesmo tempo: a valorização das ações brasileiras e a apreciação do real frente à moeda americana. “No EWZ isso fica ainda mais evidente porque o investidor americano ganha em duas frentes quando o cenário brasileiro melhora: pela valorização das ações que compõem o ETF e pela valorização do real frente ao dólar. Por isso, em momentos de redução do risco-Brasil, o EWZ pode reagir de maneira bastante forte”, explica Murad.
Apesar da reação positiva dos ativos, Murad pondera que ainda é cedo para afirmar que o investidor estrangeiro mudou estruturalmente sua visão sobre o Brasil. “Eu ainda teria cautela em dizer que já existe uma mudança estrutural do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. Agosto terminou com saída relevante de capital externo da Bolsa, apesar de uma melhora do fluxo na reta final. O que vemos agora é, sobretudo, uma reprecificação rápida das expectativas”, afirma.







