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Trump comemora no Twitter elevação das tarifas a produtos chineses

Autoridades em Pequim prometem retaliação; bolsas nos Estados Unidos e o Ibovespa têm queda por causa da medida

Os Estados Unidos elevaram de 10% para 25% as tarifas sobre 200 bilhões de dólares (791 bilhões de reais) em mercadorias chinesas importadas, a partir desta sexta-feira, 10, como anunciado pelo presidente do país, Donald Trump, ao longo da semana.

Pelas redes sociais, Trump disse que não é preciso ter pressa nas negociações com o país asiático. O governante comemorou a imposição e disse estar estudando novas taxas para o futuro. “Foi iniciado o processo para impor tarifas adicionais de 25% em outros 325 bilhões de dólares. Os Estados Unidos só vendem para China aproximadamente 100 bilhões de dólares em produtos, o que gera um desequilíbrio muito grande”, afirmou.

A medida ocorre em meio a negociações com representantes de ambas as nações, em Washington, e visa um acordo para por fim à guerra comercial entre as duas potências econômicas. Em Pequim, o Ministério do Comércio da China disse que “lamenta profundamente” a decisão, acrescentando que vai adotar contra-medidas necessárias, sem dar mais detalhes.

Mesmo com a ameaça chinesa, as negociações em Washington continuam. O vice-premiê chinês, Liu He; o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer; e o secretário do tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, conversaram por 90 minutos na quinta-feira, 9, e devem retomar os esforços nesta sexta-feira para costurar um acordo.

A disputa entre os países vem gerando apreensão nos investidores. Nesta sexta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, abriu em queda e às 13h20 estava caindo a 1%.

Movimento semelhante acontece nos mercados estadunidenses. Por volta do mesmo horário (de Brasília), o Dow Jones apresentava queda de 0,69% e o Nasdaq de 1,12%.

Tensão

O acordo entre os dois países, negociado a meses, parecia estar perto de chegar a uma conclusão quando no domingo, 5, Trump anunciou as novas tarifas que começaram a valer nesta sexta-feira. Segundo ele, os chineses teriam “quebrado o acordo” que estava sendo desenhado, motivando a decisão.

Do outro lado, o porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Gao Feng, disse na quinta-feira, que “o lado norte-americano deu muitos rótulos recentemente, ‘retrocesso’, ‘traição’ etc… A China dá grande importância à confiabilidade e mantém suas promessas, e isso nunca mudou”, afirmou.

(Com Reuters)