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Pedágio deve ser mais caro em rodovias de novas concessões

Pressionado, governo concordou em elevar os preços que empresas poderão cobrar na exploração comercial de suas concessões

Por Da Redação 15 jul 2015, 12h43

A era de concessões em infraestrutura com tarifas baixas ficou definitivamente para trás. O governo, pressionado pelas empresas e pela piora no cenário econômico, concordou em elevar a rentabilidade das propostas para os concessionários e, consequentemente, os preços que essas poderão cobrar na exploração comercial de suas concessões.

Na terça-feira, foi anunciado o teto do pedágio, que poderá ser cobrado na primeira rodovia que o governo pretende leiloar. A chamada Rodovia do Frango, entre Lapa (PR) e Chapecó (SC), poderá ter uma tarifa de até 13,41 reais para cada 100 km percorridos. É quase o dobro do que se viu na primeira edição do Programa de Investimentos em Logística (PIL), quando os tetos estipulados pelo governo ficaram em 7,60 reais, em média.

A mudança de rumo atende uma antiga reivindicação do setor de concessão. Foi interpretada como um sinal de que o governo tenta mudar os ânimos dos empresários, que não querem colocar dinheiro em novos projetos justamente no momento em que o Brasil precisa de investimentos para reaquecer a economia. Para especialistas em infraestrutura, trata-se de uma tendência que se repetirá nas demais concessões.

Neste momento, porém, a decisão pode ter um efeito colateral indesejável: todas as estradas e ferrovias do plano de concessões são eixos centrais para o escoamento de carga do país. Se os leilões confirmarem um pedágio mais elevado, esse custo tende a ser repassado para os produtos. “O valor pode atrair o mercado, mas é algo assustador para a população em um momento em que a inflação já passa de 9%”, diz Carlos Campos, pesquisador de Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A avaliação é confirmada pelo presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, Marcos Antônio Zordan: “A agroindústria vai arcar com o custo num primeiro momento, mas vai repassar ao consumidor”, disse.

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O governo também indicou, na terça-feira, que as tarifas portuárias ficarão num nível mais elevado do que o projetado no primeiro mandato de Dilma Rousseff. O Ministério da Fazenda fixou em 10% a TIR dos arrendamentos portuários, ante 8,3% da primeira edição do PIL. Já para as ferrovias, a tendência é que a TIR fique acima de 10%, porque os empreendimentos envolvem os riscos mais elevados de todo o conjunto de concessões.

(Com Estadão Conteúdo)

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