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Payroll fraco reforça cautela do Fed, mas não muda cenário para os juros

Economistas afirmam que desaceleração do mercado de trabalho reduz pressão sobre o Fed, mas inflação ainda impede uma mudança na política monetária

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 11h00 | Atualizado em 2 jul 2026, 14h05
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A criação de empregos nos Estados Unidos perdeu força em junho, mas ainda não foi suficiente para alterar a leitura predominante do mercado sobre a economia americana. Embora o payroll tenha vindo muito abaixo das expectativas, economistas ouvidos pela VEJA avaliam que o resultado aponta para uma desaceleração gradual do mercado de trabalho, sem indicar uma deterioração capaz de levar o Federal Reserve (Fed) a mudar imediatamente sua estratégia para os juros.

O relatório divulgado nesta quinta-feira, 2, mostrou a abertura de 57 mil vagas formais no mês, menos da metade do esperado pelo mercado. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, enquanto a participação da força de trabalho recuou para 61,5%.

“Os dados mudam a leitura sobre a força da economia americana. A queda da taxa de desemprego precisa ser vista com cautela, porque veio acompanhada de uma redução da participação da força de trabalho, indicando que parte da melhora decorre de menos pessoas procurando emprego, e não necessariamente de um mercado mais aquecido”, afirma Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

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Na avaliação de José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos, o relatório reforça o dilema enfrentado atualmente pelo banco central americano. “A atividade está enfraquecendo, mas os preços continuam pressionados. Esse não é o tipo de cenário que se resolve com uma direção só.”

Para Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora Stratton Capital, sediada em Nova York, os números também evidenciam uma característica estrutural do mercado de trabalho americano. “O destaque veio novamente para o setor de serviços, especificamente o setor de saúde, que adicionou 46 das 57 mil novas vagas reportadas. Isso demonstra o problema estrutural do mercado de trabalho americano, que é extremamente dependente do setor de saúde na geração de novos empregos.”

Apesar da surpresa negativa, o consenso entre os analistas é que o mercado de trabalho continua apresentando um nível de resiliência incompatível com uma desaceleração mais acentuada da economia.

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“Em 2026, a economia acumula a criação de cerca de 500 mil empregos, enquanto a taxa de desemprego permanece em um nível historicamente baixo”, diz Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.

A reação dos mercados também refletiu esse equilíbrio entre desaceleração e resiliência. Bolsas americanas operaram em alta moderada, enquanto os títulos do Tesouro registraram movimentos limitados, indicando que os investidores continuam olhando para um conjunto mais amplo de indicadores antes de revisar suas expectativas para o Fed.

“Agora, os próximos indicadores de inflação e de mercado de trabalho, além dos resultados corporativos, serão fundamentais para orientar as próximas decisões do Federal Reserve”, afirma Yamashita.

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Embora o payroll tenha reduzido parte da pressão por uma postura ainda mais restritiva do Fed, o comportamento da inflação continua sendo o principal fator para definir os próximos passos da política monetária.

“A média de criação de vagas dos últimos três meses mostra que o mercado de trabalho americano continua sólido, apesar da desaceleração observada em junho”, afirma Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank. “Com a inflação ainda elevada e os salários crescendo em ritmo forte, seguimos vendo espaço para uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em 2026”, conclui.

 Até que a inflação dê sinais mais consistentes de desaceleração, o banco central americano deve permanecer dependente dos próximos indicadores de atividade e preços para calibrar sua política monetária.

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