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Payroll: EUA criam 29 mil vagas em setembro e ficam abaixo das expectativas

Taxa de desemprego sobe para 4,2%, enquanto avanço dos salários perde força e também frustra as projeções

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 out 2026, 09h45
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O mercado de trabalho dos Estados Unidos criou 29 mil postos fora do setor agrícola em setembro, resultado bem abaixo das expectativas. O consenso de economistas consultados pela Reuters apontava para a abertura de 90 mil vagas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 2, pelo Bureau of Labor Statistics, o departamento de estatísticas trabalhistas do país.

A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, enquanto o mercado esperava estabilidade. Ao todo, 7,1 milhões de pessoas estavam desempregadas em setembro. Desde março, o indicador tem oscilado entre 4,1% e 4,3%.

O relatório também piorou os resultados dos dois meses anteriores. O saldo de julho foi revisado da abertura de 21 mil vagas para o fechamento de 10 mil postos. Em agosto, a criação de empregos caiu de 162 mil para 133 mil. Juntos, os dois meses tiveram 60 mil vagas a menos do que o informado inicialmente.

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O payroll, um dos principais indicadores do mercado de trabalho americano e acompanhado de perto pelo Federal Reserve, mostrou perda de força nas contratações. A geração de vagas em setembro ficou abaixo da média mensal de 45 mil empregos registrada nos doze meses anteriores.

Contratações perdem força nos principais setores

Nenhum dos grandes setores da economia americana apresentou uma mudança considerada relevante pelo governo em setembro. A área de saúde criou 17 mil postos, cerca da metade da média mensal de 33 mil observada no último ano.

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Os serviços de atendimento ambulatorial abriram 13 mil vagas, enquanto os hospitais acrescentaram 12 mil trabalhadores. Na direção contrária, as instituições de enfermagem e cuidados residenciais eliminaram 9 mil postos.

A construção criou 11 mil vagas, resultado próximo da média mensal de 10 mil registrada nos doze meses anteriores. O avanço foi concentrado nos empreiteiros especializados em obras não residenciais, que abriram 12 mil postos.

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A indústria acrescentou 9 mil trabalhadores em setembro e acumula 72 mil vagas desde dezembro de 2025. As fabricantes de produtos de plástico e borracha e as empresas de máquinas criaram 5 mil empregos cada.

As atividades financeiras fecharam 7 mil postos no mês. Desde maio de 2025, o setor acumula a eliminação de 129 mil vagas, das quais 90 mil ocorreram em seguradoras e atividades relacionadas.

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Mineração, comércio, transporte, informação, serviços profissionais, assistência social, lazer, hotelaria e governo apresentaram pouca variação no período.

Salários sobem menos do que o esperado

O salário médio por hora dos trabalhadores do setor privado aumentou 5 centavos, ou 0,1%, e chegou a 37,81 dólares em setembro. Em doze meses, o avanço foi de 3%. O mercado esperava altas de 0,3% no mês e de 3,2% na comparação anual.

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Entre os trabalhadores de produção e aqueles que não exercem funções de supervisão, o rendimento médio subiu 7 centavos, ou 0,2%, para 32,60 dólares por hora.

A jornada média semanal dos empregados do setor privado permaneceu em 34,4 horas. Na indústria, ficou estável em 40,6 horas, enquanto o número médio de horas extras se manteve em três horas.

A taxa de participação na força de trabalho, que mostra a parcela da população adulta empregada ou à procura de emprego, ficou em 61,8%. O número de pessoas que trabalhavam em tempo parcial por razões econômicas permaneceu próximo de 4,5 milhões.

O contingente de desempregados há 27 semanas ou mais ficou estável em 1,9 milhão. Esse grupo representava 27,1% de todas as pessoas sem trabalho no país.

A criação de vagas abaixo do esperado e a desaceleração dos salários reduzem os sinais de pressão do mercado de trabalho sobre a inflação. Os números serão considerados pelo Fed em sua próxima decisão de juros, marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Em setembro, o banco central elevou a taxa para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Embora o payroll mais fraco reduza a necessidade de um novo aumento imediato, a inflação ainda acima da meta de 2% mantém a decisão em aberto.

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