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Para Tombini, Brasil vive uma “típica desaceleração cíclica”

Presidente do Banco Central não fala em crise. Na avaliação dele, a economia doméstica perdeu ritmo, mas já há sinais de melhora

Enquanto o mercado financeiro continua apostando num Produto Interno Bruto inferior a 2% neste ano, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, aposta que o Brasil atravessa apenas “uma típica desaceleração cíclica”. Em teleconferência com a imprensa estrangeira, ele disse nesta segunda-feira que a expansão da economia deve se acelerar na segunda metade do ano e que já há sinais de crescimento mais forte, como, por exemplo, “alguma aceleração” nos novos empréstimos em junho.

Ele argumentou que o mercado de trabalho continuará “muito forte” e que o elevado nível de empregos e salários dá suporte para o PIB, elevando a demanda doméstica e favorecendo a indústria local. O otimismo do ministro contrasta com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados também nesta segunda. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da pasta, o Brasil teve saldo líquido de 120.440 empregos com carteira assinada no mês passado. O número representa a continuidade do processo de desaceleração na criação de postos de trabalho formais e equivale ao pior resultado desde 2009, quando o país ainda vivia os efeitos da crise americana.

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Risco – Porém, o presidente do BC admitiu que há riscos criados pela crise no exterior que geram incertezas e afetam o crescimento, mesmo com a desinflação. O presidente do BC disse que a convergência da inflação para a meta de 4,5% ainda é possível este ano, e que a projeção de inflação para 2013, de 5%, não restringe a política monetária. “O resultado do IPCA-15 (divulgado na semana passada) é compatível com a meta do Banco Central”, comentou.

Nesta segunda-feira, os analistas ouvidos pelo BC para o relatório Focus aumentaram a projeção para a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,87% (na semana passada) para 4,92%.

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Tombini disse ainda que o governo não abandonou a estratégia de acumulação de reservas internacionais e que esse processo será retomado quando as condições de mercado permitirem. Defendeu ainda o regime de câmbio livre, argumentando que essa é “a primeira linha de defesa” para que o país possa absorver choques globais.

O presidente do BC comentou que o real mais fraco já está ajudando a indústria, e acrescentou que o governo só intervém nos mercados de câmbio quando eles estão funcionando mal, e que vai voltar a fazê-lo se necessário. Ele disse que o Brasil continua sendo um destino muito visado por investidores estrangeiros e que o investimento estrangeiro direto (IED) será mais que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente neste ano. “Espero que IED continue evoluindo favoravelmente”, falou.

Para o relatório Focus, economistas previram crescimento negativo da produção industrial para 2012, de recuo de 0,09%. O IBC-Br, indicador prévio do PIB brasileiro caiu de 140,64 pontos em abril para 140,61 pontos no mês seguinte, recuo de 0,02%. Entre março e o abril, o índice havia subido 0,22%, primeira alta do ano, mas agora foi revisado para alta de 0,10%.

(com Agência Estado)