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Para presidente da Volkswagen, discurso de Dilma ainda não convenceu

Thomas Schmall não se mostrou otimista em relação a uma real disposição da presidente Dilma Rousseff em implementar as reformas necessárias no segundo mandato

Por Da Redação 28 out 2014, 20h54

O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, avaliou nesta terça-feira que as vendas de automóveis no país podem crescer até 4% em 2015, dependendo das mudanças na economia a serem anunciadas pelo governo federal, mas não se mostrou otimista em relação a uma real disposição da presidente Dilma Rousseff em implementar as reformas necessárias no segundo mandato. As declarações foram dadas durante entrevista à imprensa no Salão Internacional do Automóvel.

Segundo ele, não basta para o setor apenas manter a redução do IPI: é preciso um pacote de medidas que possam aumentar as vendas de veículos, entre elas o incentivo à exportação por meio da redução do custo Brasil. Ele destacou, contudo, que a medida mais urgente deve ser o incentivo à concessão de financiamentos, por meio da redução dos custos dos bancos. Ele citou também a necessidade de um programa de estímulo a renovação de frota, como aconteceu na Alemanha, EUA e Itália.

O setor automotivo foi um dos maiores beneficiados com as medidas de estímulo implementadas pela presidente, por meio de seu ministro da Fazenda. A folha de pagamentos das empresas do setor foi desonerada, houve o aumento de barreiras comerciais para automóveis importados justamente para beneficiar as montadoras nacionais, além da redução do IPI e a liberação dos compulsórios dos bancos, que ajudou as instituições a injetarem mais crédito para a aquisição de veículos.

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Contudo, de nada adiantaram tantas medidas, se o Brasil não consegue crescer. O presidente avaliou que 2015 será um ano de ajustes. Ele destacou que a Volkswagen ainda tem um estoque “maior do que deveria”. Por conta disso, defendeu a ampliação do período de lay-off (afastamento temporário do trabalhador) para “qualquer tempo” além do máximo de cinco meses estabelecidos pela legislação atual. Mais cedo, o presidente da GM no Brasil, Santiago Chamorro, afirmou que a empresa e outras montadoras voltaram a negociar com o governo a ampliação para, no mínimo, um ano.

Schmall informou que atualmente 1,2 mil funcionários da Volkswagen estão em lay-off nas quatro fábricas da marca espalhadas pelo Brasil. “Ainda precisamos fazer ajustes, por isso faz sentido prolongar”, defendeu. O presidente da empresa fez questão de ressaltar, contudo, que a companhia também tem utilizado outras medidas para ajustar estoques, como concessão de folgas por banco de horas acumuladas e férias coletivas.

Com o alto nível de estoques em várias montadoras, a Volkswagen projeta que o mercado automotivo brasileiro deve encerrar 2014 com vendas abaixo de 3,4 milhões de unidades. Para 2015, com a “esperança de melhora”, ele diz que as vendas devem crescer entre 3% e no máximo 4%, dependendo das mudanças aguardadas. Questionado se acredita na real chance de reformas por parte de Dilma, ele ironizou: “Acredito quando vou à igreja no domingo”.

Mesmo com projeções não muito animadoras, Schmall afirmou que a Volkswagen mantém o plano de investir até 10 bilhões de reais entre 2012 e 2018. “Nenhuma montadora define seu plano de investimentos pela situação atual”, afirmou. “O potencial de crescimento do mercado brasileiro é grande”, justificou, destacando que a população é jovem e, ao mesmo tempo em que 40% ainda não têm condição de comprar um carro atualmente no país, está havendo um aumento da classe média.

(Com Estadão Conteúdo)

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