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Para onde vai o dólar após a decisão do Fed e do Banco Central Europeu

Tendência é de valorização global da moeda americana e UBS projeta queda de 2,6% do euro; para o real, no entanto, as perspectivas são bem diferentes

Por Luisa Purchio 16 dez 2021, 17h55

Na quarta-feira, 15, o Federal Reserve Bank reafirmou que manterá a taxa de juros em 0%, sinalizou três altas de juros em 2022 e uma aceleração na diminuição da compra de Títulos do tesouro direto – como já era esperado pelo mercado. Nesta quinta-feira, 16, foi a vez do Banco Central Europeu comunicar sua decisão de política monetária. Diferentemente de Jerome Powell, presidente do Fed, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), tem convicção de que a inflação na Europa é temporária e resolveu manter e aumentar a injeção de euro na economia por mais algum tempo para evitar uma transição de política monetária drástica.

A compra mensal de títulos pelo BCE ocorrerá até o segundo trimestre do ano que vem e foi dobrada para 40 bilhões de euros mensais, com início em abril de 2022, e diminuindo para 30 bilhões e depois para 20 em outubro do ano que vem. A ideia é amortecer o fim do PEPP, o Programa de Compra de Emergência para a Pandemia de 1,85 trilhão de euros, cujo término está previsto para março do ano que vem. Porém foram colocadas regras mais flexíveis para a implementação do PEPP e Lagarde afirmou que o programa pode ser retomado caso necessário.

Impacto nas principais moedas globais

A subida de juros pelo Fed no ano que vem, mesmo que para apenas 1% até o final de 2022, na prática significa que investir em títulos do Tesouro americano no ano que vem vai trazer maiores rendimentos. A expectativa do UBS, uma das maiores empresas financeiras do mundo, é de valorização do dólar em relação às moedas globais e principalmente os emergentes, que apresentam maior risco aos investidores.

“Temos uma projeção de que o euro vai se desvalorizar em direção a 1,10 dólar ao longo dos próximos meses. Não parece uma queda muito alta, mas precisamos lembrar que ele veio de 1,20 nos últimos 12 meses e hoje está em 1,13 dólar. Ou seja, antes ele valia 20% mais que o dólar e vai passar a valer apenas 10% a mais”, diz Ronaldo Patah, estrategista-chefe do UBS Consenso, escritório de family office ligado ao grupo UBS. “Todas as moedas tendem a desvalorizar principalmente nos países onde as taxas de juros não vão subir, como é o caso do euro, do Japão e da China. No caso dos países emergentes, mesmo que a maioria deles já esteja subindo os juros ou se preparando para isso, a tendência também é de desvalorização”, diz ele.

Para o Brasil, no entanto, as perspectivas são diferentes. Patah prevê que o real não sofrerá com a alta dos juros americanos, afinal a moeda brasileira já sofreu uma forte desvalorização desde a pré-pandemia, passando de 4,0 em 16 de dezembro de 2019 para 5,6 nesta quinta-feira, 16, uma alta de 38% em dois anos. No ranking dos emergentes, o Brasil está entre as moedas que mais se desvalorizaram em relação ao dólar, por conta do cenário doméstico conturbado. “Além de já ter se desvalorizado, o Brasil é o país que está na frente no processo de alta de juros, e no ano que vem vai chegar a 11,5%, mais alto que a média dos emergentes”, diz ele.

Vale lembrar, no entanto, que as eleições no ano que vem são o principal fator de risco para a desvalorização do real ante o dólar. Tudo dependerá das equipes e das diretrizes econômicas dos candidatos à eleição presidencial, como é o caso do ex-presidente Lula, que vem liderando as pesquisas de intenção de voto.

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