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Para o BC, risco de inflação está menor

Em ata, banco diz que economia se desloca para o equilíbrio

Copom afirma que são “decrescentes os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno”

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que há sinais de que a economia “tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo”. Para os diretores da autoridade monetária, o deslocamento da economia tem como efeito um arrefecimento dos riscos para a evolução da inflação.

A ata se refere à reunião do comitê no dia 21 de julho, quando a taxa básica de juros (Selic) foi elevada em 0,5 ponto percentual, a 10,75% ao ano. A decisão, unânime, contrariou as expectativas do mercado, que previa uma alta de 0,75 ponto percentual.

Para sustentar a avaliação, os diretores do BC lembram que dados sobre comércio, estoques e produção industrial evidenciam essa percepção. A tese também encontra respaldo com a observação de “sinais de expansão mais moderada da oferta de crédito, em especial para pessoas físicas”. Outro fato lembrado é que a confiança de consumidores e de empresários continua em patamar elevado, “mas com alguma acomodação na margem”. Por fim, os diretores do BC citam a “trajetória recente dos níveis de estoques em alguns setores industriais”, que também colaboraria para essa avaliação de acomodação da economia.

Apesar da percepção de uma redução do ritmo da economia, a autoridade monetária lembra que a atividade continuará a ser favorecida por outros fatores. O texto cita nominalmente “efeitos remanescentes dos estímulos fiscais” e “políticas dos bancos oficiais”.

Inflação – No documento, o Copom afirma que são “decrescentes os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno”. A avaliação é de que esses riscos “se circunscrevem ao âmbito interno, por exemplo, os derivados da expansão da demanda doméstica, em contexto de virtual esgotamento de ociosidade na utilização dos fatores de produção”.

A projeção oficial do Banco Central para o IPCA em 2011 e 2010 caiu no cenário de referência em relação a junho. Para 2010, a projeção “reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de junho, mas se mantém sensivelmente acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)”. Para 2011, a estimativa “reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião de junho, mas ainda se encontra acima do valor central da meta”.

Apesar de observar a queda das previsões de inflação, o BC avalia que um movimento de recuo das expectativas ainda precisa ser mais intenso. “O Copom considera que esse processo deva ser intensificado e, para tanto, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas”, cita o texto, ao lembrar que esse descompasso tende a “aumentar o risco para a dinâmica inflacionária”.

Recuperação da economia global – O comitê avalia que a recuperação das economias mais ricas pode ser mais lento do que o esperado inicialmente. “A recuperação da economia global continua sendo liderada pelas economias emergentes, mas acumulam-se indícios de que a intensidade desse processo poderá ser menor do que se antecipava, em cenário no qual a observância de dinamismo nas economias do G3 (Estados Unidos, Europa e Japão) ainda em 2011 se torna menos provável”, diz a ata.

Ainda em relação ao exterior, o texto da ata afirma que “persistem preocupações com dívidas soberanas de países europeus”. Essa preocupação está ligada à capacidade de os países honrarem suas dívidas. Além disso, “surgem dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação da economia americana e aparecem indícios de desaceleração na China”.

(Com Agência Estado)