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Para Invepar, terceira pista em Guarulhos não é fundamental

SÃO PAULO, 25 Abr (Reuters) – A construção de uma terceira pista no aeroporto de Guarulhos (SP) não é vista como fundamental pela Invepar, que em parceria com a Acsa, da África do Sul, venceu a licitação para concessão do aeroporto. Além da possibilidade de otimizar as duas pistas já existentes, a obra poderia não ser viável diante de uma concessão de 20 anos.

Atualmente, as duas pistas não podem operar simultaneamente, diante da distância entre ambas. “Pode ser que com as duas pistas a gente consiga melhorar a tal ponto que não precise pensar em uma terceira pista”, afirmou o diretor de novos negócios da Invepar, Hilário Pereira Filho, a jornalistas durante evento do setor aeroportuário em São Paulo.

Sobre essa eventual terceira pista, Pereira diz que “a Infraero fez diversos estudos… e a gente vê uma grande dificuldade de desapropriação. Naturalmente que isso não se faz só com desejo, se faz com muito planejamento”.

“Agora, tem uma questão importante, porque são 20 anos de concessão e uma obra dessa não comporta uma viabilidade de curto prazo”. Isso significa que o consórcio poderia não ver retorno desse investimento, de grande porte.

O diretor de novos negócios lembrou explicou ainda que, mesmo antes da assinatura do contrato de concessão, prevista para 25 de maio, a Invepar está em Cumbica “coletando informações” após a homologação do resultado do leilão pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

“Estamos coletando as informações iniciais para poder fazer os trabalhos exigidos pelo edital e no prazo que está colocado, e sem dúvida as melhores informações estão na própria Infraero”, explicou Pereira.

“Estamos procurando obter o máximo de dados para que poder circular no meio aeroportuário”.

Pereira afirmou ainda que a Invepar “vai participar com todo o esforço” para promover uma infraestrutura de transportes, como uma linha de trem até Cumbica. “A CPTM tem projeto, o governo federal tem projeto. Isso só nos anima. E nós não vamos ficar só olhando”.

Pereira disse ainda “está tudo certo” com o depósito das garantias exigidas pelo edital de concessão.

TAV

O diretor de novos negócios confirmou ainda que a Invepar tem certo interesse no Trem de Alta Velocidade (TAV), que deverá ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. “Agora o governo está redefinindo a modelagem e assim que definir se for o caso vamos dar uma olhada e ver como isso vai ser desenvolvido. A Invepar tem interesse em todas as infraestrururas. E se for conveniente a gente estuda.”, disse Pereira.

“Alguém duvida que o Brasil precisa de um TAV entre Rio de Janeiro e São Paulo?”, questionou. “O governo tem que ser insistente a produzir a melhor modelagem para garantir a viabilidade”.

A Invepar e a sul-africana ACSA ficaram com o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, ao oferecer 16,2 bilhões de reais pelo empreendimento. A Invepar tem como sócios o grupo OAS e os fundos de pensão de empresas estatais Previ, Petros e Funcef.

O preço pago pela concessão do aeroporto mais movimentado do país foi quase 400 por cento acima do preço mínimo definido pelo governo, que era de 3,4 bilhões de reais. A oferta mais próxima da vencedora para Guarulhos foi de quase 12,9 bilhões.

Em 2011, o aeroporto de Guarulhos registrou movimentação de 30 milhões de passageiros, e o local opera no limite da sua capacidade.

(Por Carolina Marcondes)