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Para governo, visita a aeroportos europeus foi ‘produtiva’

Segundo a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, investidores estrangeiros mantém interesse no Brasil

A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse nesta terça-feira que a viagem que fez à Europa para avaliar as práticas de gestão de portos e aeroportos foi “muito produtiva” e vai embasar as discussões e decisões do governo sobre o modelo de concessão no Brasil. A ministra partiu para visitas à Alemanha, França, Inglaterra e Holanda para visitar operadoras aeroportuárias locais.

O objetivo da comitiva, que também contou com a presença do ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, era convencer as operadoras a se associarem à Infraero (no papel de minoritárias) na operação de grandes aeroportos brasileiros que precisam de investimentos. Contudo, como já era esperado, as operadoras não receberam a notícia com muito otimismo. A Fraport já havia afirmado, no início do mês, que não tinha o menor interesse em compartilhar com a Infraero a gestão de qualquer aeroporto brasileiro. Já a reportagem do jornal Folha de São Paulo desta terça-feira afirma o óbvio: que o governo não teve sucesso em apresentar sua ideia de gestão compartilhada para as empresas europeias.

Ao ser questionada sobre o tema, a ministra desconversou. “As pessoas têm muito interesse no Brasil, em investimentos no Brasil. Acho que foi importante e nós estamos com as informações e as considerações que eles fizeram”, afirmou, ao chegar ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para participar da reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

Gleisi disse ainda que a data da divulgação do novo modelo de concessão para portos e aeroportos será definida pela presidente Dilma Rousseff. Na semana passada, a ministra da Casa Civil comandou uma missão à Europa para visitar aeroportos e portos na Alemanha, Bélgica, Holanda e França.

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Modelo confuso – A afirmação da ministra coroa um período de informações contraditórias sobre as novas concessões de aeroportos. Há poucas certezas sobre o tema. A insatisfação da presidente Dilma Rousseff com o primeiro modelo de concessões é uma delas. Dilma irritou-se ao perceber que as grandes operadoras aeroportuárias (e também as maiores construtoras do país) haviam ficado de fora do leilão e perdido os lances para empresas de menor porte. Para impedir que o erro se repetisse, a Secretaria de Aviação Civil (SAC) passou a estudar critérios mais rígidos de seleção de empresas. Além disso, houve mudanças internas na própria SAC para permitir uma maior participação do Ministério do Planejamento e da Casa Civil na elaboração do novo plano.

Contudo, após o anúncio do pacote de concessões de ferrovias e rodovias, informações desconexas passaram a ser vazadas para a imprensa sobre a desistência do modelo de concessões em detrimento de Parcerias Público-Privadas (PPPs) ou o fortalecimento da Infraero por meio da criação de um braço de investimentos da estatal, chamado de Infrapar. Ainda não há uma definição sobre qual modelo será adotado. Contudo, o governo tem sofrido pressão intensa do PT para estancar a ânsia por privatizações e optar por modelos nos quais o estado permaneça como majoritário. A decisão, mais uma vez, está nas mãos da presidente. No entanto, depende de uma variável importante: se alguma operadora aeroportuária respeitada no mundo aceitará submeter-se aos desmandos da Infraero.