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Para Gleisi, dinheiro da BNDESPar não é público

Ministra da Casa Civil profere a frase mais infeliz do dia ao afirmar que envolvimento do braço de participações do BNDES na fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour não implica uso de dinheiro público

Por Luciana Marques 29 jun 2011, 19h59

A ministra Gleisi Hoffmann deve estar tão atrapalhada com sua nova rotina na toda poderosa pasta da Casa Civil que proferiu a declaração mais infeliz desta quarta-feira. Em entrevista no Palácio do Planalto, ela afirmou que a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na proposta de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour – que envolve um investimento de quase 4 bilhões de reais – não significa uso de recursos públicos. Para apoiar sua tese, a ministra saiu com uma explicação absurda: “Essa é uma operação enquadrada pelo BNDES. Não é uma operação de crédito do BNDES. Portanto, ela não tem recurso público envolvido, nem FGTS, nem Tesouro. É uma ação de mercado realizada pelo BNDESPar e não tem nada a ver com decisão de governo”.

Ora, a BNDESPar – o braço de participação do BNDES – é um controlada cuja estrutura de capital tem como principal fonte de captação o próprio banco que a controla. Este, por sua vez, para se manter capitalizado, tem recorrido seguidamente ao Tesouro Nacional, que tem como fonte única de recursos os impostos pagos pelos cidadãos e as dívidas que assume. Mais dinheiro público que isso impossível.

Gleisi falou com a imprensa após a primeira reunião da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade. O empresário Abílio Diniz, que é conselheiro da Câmara e personagem central da operação entre Pão de Açúcar e Carrefour, também estava presente no encontro. “Foi uma enorme coincidência”, disse a ministra.

O presidente da Câmara, Jorge Gerdau, avaliou como positiva a possível fusão entre as redes supermercados, mas disse que o caso não foi discutido na reunião no Planalto. “Estamos tratando de gestão. Então esse assunto não foi colocado na mesa. Estamos tratando de temas gerenciais globais, mas a tendência do mundo é de fusões porque melhora a competitividade em benefício do usuário, em benefício do desenvolvimento do país”.

Analistas ouvidos pelo site de VEJA, contudo, levantam diversos questionamentos sobre os potenciais benefícios desta operação ao consumidor. Quanto à participação do BNDES na transação, nenhum dos argumentos clássicos usados para defender a ideia (por si só questionável) da presença do estado no comando de empresas se aplica neste caso. O setor de varejo não traz o chamado “retorno social”, ao contrário do de infraestrutura ou comunicações. Não precisa de fomento especial, como o de inovação tecnológica. E tem crescido a taxas expressivas sem ajuda: sua expansão chegou a 10,9% no ano passado – bem acima do crescimento do PIB, que ficou em 7,5%. O Grupo Pão de Açúcar faturou 37,8% a mais que no ano anterior (considerando a aquisição das Casas Bahia), enquanto o Carrefour cresceu 33,7%.

Câmara de Competitividade – A ministra Gleisi disse que os representantes da Câmara de Competitividade definiram no encontro desta quarta os cinco órgãos prioritários em que atuarão. Uma das principais bandeiras do grupo é melhorar a infraestrutura de aeroportos. A presidente Dilma Rousseff já pediu maior rigor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nos casos de overbooking, por exemplo. “É uma gestão de coisas pequenas, mas que incomodam as pessoas, como a demora da entrega de bagagem”, disse Gleisi. O governo também quer evitar atrasos e cancelamentos de voos e implantar internet gratuita nos aeroportos. A Câmara também vai atuar em conjunto com o Comitê Gestor da Copa.

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