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Para FMI, dívida da Grécia atingirá 129% do PIB em 2020

O valor, que consta do rascunho de nova análise feita pelo Fundo, está aquém do que o mercado considera sustentável para o endividamento grego

Por Da Redação 19 fev 2012, 18h15

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o nível de endividamento da Grécia atingirá 129% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, conforme o rascunho de uma nova análise de sustentabilidade da dívida grega elaborado pelo Fundo, informou uma fonte com acesso ao documento.

Tal estimativa está ainda acima do nível que muitos economistas consideravam sustentável. Apesar disso, alguns sinais na semana passada indicaram que existe um desejo político suficiente na zona do euro para seguir adiante com um novo e mais ampliado pacote de ajuda financeira ao país.

O FMI está propondo, num rascunho de plano a ser aprovado, quatro opções aos credores oficiais da Grécia com o objetivo de reduzir o nível de endividamento para 120% do PIB, e que havia sido considerado como “sustentável” na mais recente análise da dívida feita em outubro.

Os ministros de Finanças da zona do euro discutirão esse rascunho num encontro especial sobre a Grécia nesta segunda-feira. Espera-se que eles decidam, finalmente, se o governo grego está apto a receber um segundo pacote de ajuda financeira no valor de 130 bilhões de euros que poderá evitar um calote da dívida soberana grega.

Opções na mesa – As opções elaboradas pelo FMI incluem permitir a Grécia se apoderar de ganhos de capital sobre os juros acumulados nos títulos da dívida agora nas mãos de credores privados. Esses bônus devem voltar às mãos do governo grego por meio de uma grande operação de troca de dívida pela qual os investidores vão receber novos títulos a um valor de metade dos papéis antigos. A segunda opção é reduzir a taxa de juros sobre o empréstimo atual de socorro de 110 bilhões de euros. A terceira é pedir aos bancos centrais da zona do euro para vender os títulos do governo grego que detêm, num valor de 12 bilhões de euros, no âmbito da operação de reestruturação da dívida. E a quarta opção envolve o Banco Central Europeu (BCE) abrir mão do lucro que teria sobre os cerca de 45 bilhões de euros a 50 bilhões de euros em títulos gregos que comprou nas operações de mercado aberto entre 2010 e 2011.

O rascunho afirma que tanto a primeira quanto a segunda opções iriam reduzir a dívida do país em 1,5 ponto porcentual do PIB, enquanto a terceira opção reduziria a dívida em 3,5 pontos porcentuais e a quarta opção, 5,5 pontos. O documento também afirma que o endividamento da Grécia para 2011 é agora estimado em 164% do PIB, acima da projeção anterior, de 162%. “O FMI está buscando uma combinação das opções que levaria a um endividamento de 120% do PIB até 2020. Mas não se sabe quantas opções serão adotadas pelos ministros das Finanças na segunda-feira”, afirmou uma fonte do FMI.

A fonte disse que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, havia dito aos executivos do Fundo na sexta-feira que era imperativo para todos os credores – bancos privados, governos da zona do euro e bancos centrais da zona do euro, BCE e FMI – estarem comprometidos com a redução da dívida grega. Contudo, Lagarde não detalhou a contribuição do FMI nesse processo.

(com Agência Estado)

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