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Para Fipe, efeito cambial sobre preços deve demorar

Por Maria Regina Silva

São Paulo – O efeito da depreciação do câmbio sobre a inflação ainda deve demorar, na avaliação do economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Rafael Costa Lima. Na sua avaliação, se o dólar se mantiver na faixa de R$ 2,00 por um período maior, entre dois e três meses, poderá ter reflexos sobre determinados preços, como passagens aéreas, eletroeletrônicos e pães.

“Alguns produtos sofrem mais, mas não deve ser nada crítico. Por exemplo, até a alta (do dólar) atingir o trigo e a farinha, há várias etapas. Pode demorar em torno de dois meses. É preciso saber se essa volatilidade terminou. O impacto não é imediato”, explicou Costa Lima, em entrevista à Agência Estado na sede do instituto nesta quinta-feira.

O economista também ressalta que é preciso esperar para saber quais serão as influências do agravamento da crise internacional sobre a inflação doméstica, dada a expectativa de queda nos preços das commodities. “Há uma sinalização de que a piora da crise tende a reduzir os preços das commodities e, consequentemente, suavizar os efeitos da desvalorização cambial principalmente nos alimentos.”

Costa Lima afirmou ainda que é importante aguardar como a economia interna irá reagir aos estímulos recentes, se, de fato, retomará o crescimento no segundo semestre. “Por enquanto, a renda e o setor de serviços devem se manter aquecidos, enquanto a inflação pode permanecer próxima da estabilidade, se a economia continuar como está.”