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Para FGV, ambiente não indica disparada de preços

Por Alessandra Saraiva

Rio – A inflação de 0,27% apurada pelo IGP-10 de março sinaliza o cenário de evolução de preços para os próximos meses, com taxas positivas próximas a 0,30%, mas distantes das registradas no início do ano passado – quando os IGPs oscilavam acima de 0,50%.

Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o ambiente atual não indica “disparada” de preços. Além disso, ele lembrou que, mesmo a leve alta do dólar em janeiro não conduziu a um impacto expressivo na inflação atacadista, que representa 60% do IGPs, e cuja evolução tem estreita ligação com a cotação da moeda norte-americana. “Havia uma tendência de apreciação, com a maior entrada de capital externo”, disse. “Mas não acho que o dólar vai se distanciar muito da faixa dos R$ 1,80, nos próximos meses”, afirmou.

O atacado foi o principal responsável pelo avanço mais intenso de preços do IGP-10, que em fevereiro subia apenas 0,04%. No setor atacadista, os preços saíram de uma queda de 0,19% para alta de 0,24% de fevereiro para março, pressionados por aumentos de preços tanto em produtos agrícolas quanto em produtos industriais.

Entre os destaques de altas agropecuárias no atacado está a soja em grão, cuja variação de preços saltou de 0,93% para 3,17%. Este produto tem sinalizado redução de oferta desde o início do ano, tendo em vista problemas de estiagem na Região sul, influenciados pelo fenômeno do La Niña. “Parece que os produtores estão descobrindo que a perda de safra foi maior do que o esperado”, avaliou Quadros. Este cenário ajudou a dar término à deflação das matérias-primas agropecuárias no atacado (de -0,24% para 0,14%), setor que representa as commodities dentro do atacado.

No setor industrial, a inflação dos materiais para manufatura saltou de 0,66% para 0,88%. Este segmento é um termômetro da evolução de preços nos insumos para a indústria, e ainda sofre a influência do petróleo em alta no mercado internacional. Isso, na prática, deixou mais caros itens relacionados, como produtos químicos, cuja variação acelerou de 0,20% para 1,29%, de fevereiro para março; e querosene de aviação, que passou de -0,29% para 3,40% no mesmo período.