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Para FGV, aceleração dos IGPs deve estar no limite

Em maio, IGP-10 registrou alta de 1,01%, ante 0,70% em abril

O atual ciclo de aceleração dos Índices Gerais de Preços (IGPs) deve estar chegando ao limite, avaliou nesta quinta-feira o coordenador dos índices de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. “(O resultado do IGP-10) é uma primeira indicação de que o movimento de aceleração talvez esteja batendo no teto”, disse, ressaltando que trata-se de uma conclusão preliminar. Em maio, o IGP-10 registrou alta de 1,01%, ante 0,70% em abril.

O principal motivo dessa avaliação é a redução vista nos impactos do complexo soja (grão, farelo e óleo bruto e refinado), que vem pressionando fortemente os preços no atacado. Enquanto, em abril, a contribuição do complexo no IPA-10 foi de 87%, esse item respondeu por 55,96% do indicador em maio.

Segundo Quadros, a elevação de outros preços, como o de produtos químicos derivados de petróleo, influenciada pela alta da commodity, deve substituir a participação que a soja vinha exercendo e não somar-se a ela. “Vemos outras influencias aparecerem, mas até o momento tem havido mais uma troca de posições do que um incremento”, afirmou.

Quadros afirmou ainda que apesar da perspectiva de que a desvalorização do real siga influenciando os preços no Brasil, ele acredita que o fator câmbio não deve resultar necessariamente em uma elevação das taxas dos IGP-s. Ele afirmou que uma primeira influência é notada no atacado, mas vê espaço pequeno para repasse ao consumidor.

“O efeito do câmbio pode ser mais pronunciado sem que isso necessariamente represente uma elevação das taxas do IGP”, declarou, ressaltando que o câmbio ainda é um fator secundário. Ele argumentou que o efeito câmbio pode ser compensado pela redução da pressão do complexo soja.

(com Agência Estado)