Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Para analistas, susto do Fed no mercado é passageiro e Covid está no radar

Banco central americano antecipou a retirada de estímulos monetários e movimentou as bolsas globais, mas variante delta pesará mais no médio prazo

Por Luisa Purchio Atualizado em 19 ago 2021, 16h37 - Publicado em 19 ago 2021, 16h26

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária americano (FOMC, na sigla em inglês) divulgada na quarta-feira, 18, pelo Federal Reserve Bank, disparou o dólar no mercado global e derrubou as bolsas de valores, mas na análise dos especialistas de mercado ouvidos por VEJA este movimento é passageiro e em breve dará espaço a outros riscos que estão no radar dos investidores, como a variante delta da Covid-19 e as incertezas sobre a sustentabilidade do crescimento econômico dos países.

Por si só, o anúncio derrubou as bolsas americanas ontem e nesta quinta-feira, 19, elas continuaram operando majoritariamente no terreno negativo. Já o índice dólar continua subindo, acumulando uma alta de aproximadamente meio ponto no acumulado dos dois dias. O rendimento dos Títulos americanos de 10 anos, porém, nesta quinta-feira caem aproximadamente 2,46%, para um rendimento de 1,24%, um contraponto da tendência de alta do dólar.

“As pessoas estão comprando juros americanos para se proteger de um possível risco maior na economia, decorrente da Covid-19. A mudança de política monetária do Fed assusta um pouco no começo, mas se ela vier em um momento em que as economias estiverem mais pavimentadas, a retirada de estímulos é saudável”, diz Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office. “Não vejo uma tendência de aversão ao risco e fortalecimento do dólar ante outras moedas, isso só vai acontecer se a economia americana crescer muito, e não são estes os sinais atuais”, diz ele.

Campanha de testagem dos moradores de Wuhan após surto na cidade - 03/08/2021
RISCO Testagem dos moradores de Wuhan: novos surtos na China geram temor nos mercados Feature China/Barcroft Media/Getty Images

Outro fator que aumenta a aversão ao risco é a queda das commodities na China e a pressão causada pelos novos casos de Covid-19 no país. “O que mais está impactando o mercado é o receio de desaceleração global”, diz Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch.

Ata do Fed

A novidade trazida pela ata foi a antecipação da retirada dos estímulos econômicos do Fed. A alta de juros se mantém para final de 2022, porém os integrantes do banco central americano discutiram na reunião a diminuição do ritmo do programa de Títulos americanos já no final de 2021 e início de 2022. Atualmente o banco central injeta dólares na economia a um ritmo de 120 bilhões ao mês, sendo 80 bilhões em compras de títulos públicos e 40 bilhões de dólares em títulos lastreados em hipotecas. De acordo com o comunicado, ambos devem ser reduzidos nos próximos meses.

O fenômeno ocorre mesmo após a divulgação dos dados dos pedidos de seguro desemprego nesta quinta, de 348 mil solicitações, abaixo da expectativa de 362 mil dos economistas da Bloomberg e dos 377 mil da semana anterior.

Continua após a publicidade
Publicidade