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Para analistas, decisão de Dilma sobre Petrobras significa mais intervencionismo

Bancos preveem a necessidade de aumento de capital da Petrobras no próximo ano, devido ao aumento do endividamento

Por Da Redação 25 jun 2014, 19h43

A reação negativa do mercado aos novos contratos firmados pela Petrobras com o governo para a exploração de volumes extras de petróleo no pré-sal, deveu-se à ausência de detalhes sobre o acordo, às pressões no caixa da empresa e a novas demonstrações de intervenção governamental na estatal, disseram analistas nesta quarta-feira.

O governo decidiu contratar a Petrobras, sem licitação, para explorar o óleo excedente em quatro áreas da chamada cessão onerosa, o que deve garantir à estatal reservas adicionais de até 15,2 bilhões de barris e levar a um desembolso de 15 bilhões de reais em bônus e antecipações até 2018. “O contrato pode ser economicamente atraente, mas não temos dados para saber”, afirmaram os analistas do banco BTG Pactual, chefiados por Gustavo Gattass, em nota a clientes.

A instituição manteve a recomendação neutra para as ações da petroleira. Em relação à pressão no caixa da empresa, o banco prevê a possibilidade de a Petrobras precisar de um aumento de capital no próximo ano.

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O Bank of America Merrill Lynch afirmou que o negócio “parece ser financeiramente positivo”, mas destacou que “vem em um momento de preocupações do mercado sobre a força financeira da Petrobras e do nível de intervenção do governo na empresa”.

Também nessa linha, o Citibank destacou que o negócio “deve impactar negativamente a percepção dos investidores devido à influência política por trás”. A instituição manteve sua recomendação neutra para os papéis da empresa.

O Citi Research, em relatório, disse temer que os investidores considerem que o negócio foi orientado para contribuir com as contas da União. Isso porque dos 15 bilhões de reais a serem pagos até 2018, 2 bilhões de reais deverão ser entregues ainda neste ano. Em contrapartida, a estatal prevê que o primeiro óleo excedente da cessão onerosa seja extraído apenas em 2021.

O Citi Research elevou a estimativa de necessidade de novos endividamentos para o período 2015-18 para 24 bilhões de dólares, ante 20 bilhões, para refletir o acordo, além de adiar a projeção de equilíbrio no fluxo de caixa livre para 2019.

Já o banco UBS, além de criticar a intervenção do governo, questionou que o contrato de partilha tenha sido a melhor opção. “Estes barris vêm com riscos exploratórios inferiores, como afirmou a CEO para a imprensa local após o anúncio do negócio, mas também deve gerar retornos mais baixos do que os barris do pré-sal de Santos sob o modelo de licenciamento”, disse o UBS em email a clientes.

Por outro lado, o Goldman Sachs, que manteve recomendação de compra, destacou que não vê os termos econômicos anunciados como negativos. A instituição destacou que a Petrobras adicionou novas reservas provadas ao seu portfólio.

(Com Reuters)

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