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PANORAMA3-PIB local é destaque e exterior traz cautela

SÃO PAULO, 6 de março (Reuters) – A divulgação do desempenho da economia brasileira no quarto trimestre foi o destaque da agenda local nesta terça-feira. No exterior, temores de que a Grécia não consiga evitar um calote e preocupações com a economia mundial ditaram uma forte aversão a risco que golpeou ações e moedas como o euro.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,3 por cento sobre o terceiro trimestre, levando a expansão acumulada no ano a 2,7 por cento. O baixo desempenho acendeu a luz amarela dentro do governo, que já acena com mais medidas para estimular a atividade, sobretudo na indústria, e no próprio setor produtivo, que ainda teme a concorrência externa.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o resultado mostra que a atividade ganhou tração no final do ano. O governo já prepara um pacote de medidas para estimular o setor industrial, que abrangerá novas ações para impedir a sobrevalorização do câmbio.

Mantega afirmou que o governo tem”todos os instrumentos” para assegurar que o real não se valorize, acrescentando que o arsenal é “infinito”.

Os comentários ecoaram no mercado de câmbio e o dólar registrou a maior alta percentual diária frente ao real desde dezembro.

Na Alemanha, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo vai trabalhar ativamente para aumentar o crescimento econômico do país. Ela garantiu que o estímulo ocorrerá com responsabilidade fiscal.

Na avaliação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, as perspectivas indicam um crescimento mais forte da economia neste ano, consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta neste ano.

O resultado do PIB veio um dia antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo analistas do mercado financeiro, endossou algumas apostas num corte de 0,75 ponto percentual sobre a taxa básica, atualmente em 10,50 por cento ao ano. Pesquisa da Reuters, no entanto, mostrou que todos os 42 especialistas ouvidos apostam em queda de 0,50 ponto percentual na reunião desta quarta.

No ajuste, os juros futuros mais curtos anularam boa parte da queda verificada mais cedo, devido a uma correção técnica. No início do dia, o mercado de DI refletiu o clima avesso a risco no exterior, que levou o Ibovespa a sofrer o maior tombo em cinco meses.

Após a China cortar sua meta de crescimento deste ano para o menor valor em oito anos na véspera, a União Europeia (UE) confirmou nesta terça-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) dos 17 países que compõem a zona do euro encolheu 0,3 por cento entre outubro e dezembro de 2011, num sinal de que o bloco pode estar a caminho de uma recessão.

Na Grécia, seguem as dúvidas sobre a participação dos credores privados na reestruturação da dívida do país, necessária para evitar um calote desordenado. Um default grego poderia causar mais de 1 trilhão de euros de danos à zona do euro, segundo alertou o grupo que representa os credores de títulos gregos.

O euro caiu à mínima em duas semanas e meia ante o dólar. A moeda norte-americana subia de forma generalizada.

Além da decisão do Copom, o mercado recebe na quarta-feira os números relativos à produção industrial de janeiro. Analistas consultados pela Reuters esperam queda de 0,8 por cento sobre o mês anterior e de 1,5 por cento frente a janeiro de 2011, segundo a mediana das estimativas.

Nos EUA, investidores vão conhecer o desempenho do emprego privado em fevereiro, para o qual a expectativa é de abertura de 208 mil vagas. A agenda europeia traz dados relativos às encomendas à indústria alemã de janeiro.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,7640 real, em alta de 1,57 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caiu 2,76 por cento, para 65.114 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 2,74 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros recuou 3,74 por cento, a 33.209 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 9,600 por cento ao ano, ante 9,590 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h09, a moeda comum europeia era cotada a 1,3111 dólar, ante 1,3218 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 8 pontos, para 199 pontos-básicos. O EMBI+ avançava 9 pontos, a 335 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou em queda de 1,57 por cento, a 12.759 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 1,54 por cento, a 1.343 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,36 por cento, aos 2.910 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto fechou em baixa de 1,77 dólar, ou 1,75 por cento, a 99,10 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,9479 por cento, frente a 2,007 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )(Por José de Castro; Edição de Tiago Pariz)