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PANORAMA3-Mercados caem ou ficam estáveis após anúncio do Fed

Por Da Redação - 20 jun 2012, 18h51

SÃO PAULO, 20 Jun (Reuters) – Os investidores mostraram certa frustração com o anúncio do Federal Reserve (banco central norte-americano) de extensão da Operação Twist, já que esperavam medidas mais agressivas, e os mercados não tiveram grandes reações nesta quarta-feira.

A Operação Twist renova os esforços da autoridade monetária para diminuir os custos de empréstimos por meio da venda de títulos de curto prazo para comprar bônus com prazos mais longos.

Os principais índices acionários norte-americanos e o Ibovespa, com fechamento posterior ao anúncio do Fed, ficaram praticamente estáveis ou em leve queda. A expectativa por anúncios mais fortes havia ajudado a impulsionar antes as bolsas da Europa, que encerraram com novas máximas em um mês.

No mercado de divisas, tendo como pano de fundo o sentimento dos investidores após o Fed, o dólar caía ante o euro, mantinha-se praticamente estável frente a uma cesta de divisase fechou em alta ante o real.

Enquanto isso, o barril de petróleo nos EUA caiu mais de 2 dólares no fechamento, refletindo também uma alta inesperada dos estoques da commodity no país na semana passada.

O banco central dos Estados Unidos também divulgou nesta quarta-feira novas perspectivas do Fomc (Comitê de Mercado Aberto) para a economia como um todo. Entre elas, destacam-se a redução da faixa de crescimento esperada para os EUA no ano, com as projeções para 2013 e 2014 também sendo rebaixadas.

Em coletiva de imprensa posterior aos anúncios, o chairman do Fed, Ben Bernanke, disse estar preparado para adotar mais medidas para estimular o crescimento, se necessário, e que a entidade está preparada para proteger a economia e o sistema financeiro local caso a situação na Europa piore.

No Velho Continente, por sinal, tomou posse nesta segunda-feira a coalizão liderada por conservadores gregos, prometendo negociar termos mais brandos para o resgate financeiro internacional e acabando com várias semanas de incerteza que abalaram os mercados globais em relação a Atenas.

Também contribuiu para um maior alívio no panorama da Europa a proposta italiana de que os fundos de resgate da zona do euro comecem a comprar dívida de países europeus em dificuldade. O tema debve ser discutido amplamente na sexta-feira, durante reunião em Roma.

No ambiente doméstico, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou o anúncio do Fed nesta quarta-feira como “mais do mesmo”, um alívio temporário que injeta um pouco mais de liquidez nos mercados.

Ainda no âmbito da Rio+20, Mantega e seu colega do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, reagiram à revisão sobre o crescimento do país no ano feita pelo banco Credit Suisse.

A instituição financeira reduziu de 2 por cento para 1,5 por cento a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Mantega disse acreditar que a previsão de tratava de uma piada, reforçando apostas em uma expansão maior, enquanto Pimentel atribuiu ainda à avaliação do ao pessimismo vivido na Europa.

Ainda nesta quarta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que a confiança do empresário do setor industrial caiu em junho, atingindo o menor nível do ano, e o Banco Central anunciou que o fluxo cambial ficou negativo em 327 milhões de dólares entre os dias 11 e 15 passados.

AGENDA

O calendário de divulgação de indicadores prevê para quinta-feira, no âmbito doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho, prévia da inflação oficial, e a taxa de desemprego referente a maio. Analistas preevem alta de 0,28 por cento no IPCA-15 frente a maio.

Nos EUA, por sua vez, serão anunciados dados sobre pedidos de auxilio desemprego na semana, indicadores antecedentes de maio, vendas de moradias usadas também referentes ao mês passado, e o índice de atividade do Fed da Filadélfia.

O dia também será marcado pela divulgação de PMIs (índices de gerentes de compras) de indústria e serviços de países como Alemanha, França e na zona do euro, além do industrial da China. Todos esses indicadores são referentes a junho.

Veja como fecharam os principais mercados financeiros nesta quarta-feira:

CÂMBIO

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O dólar fechou a 2,0331 reais, em alta de 0,28 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa fechou praticamente estável, com leve queda de 0,05 por cento, para 57.166 pontos. O volume financeiro ficou em 6,8 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caiu 0,63 por cento, a 27.787 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 8,080 por cento ao ano, ante 8,030 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h42 (Brasília), a moeda comum europeia era cotada a 1,2704 dólar, ante 1,2687 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 129,375 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,414 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil caía 5 pontos, para 205 pontos-básicos. O EMBI+ recuava 4 pontos, a 366 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caiu 0,10 por cento, a 12.824 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 0,17 por cento, a 1.355 pontos, e o Nasdaq ficou praticamente estável, com avanço de 0,02 por cento, aos 2.930 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto caiu 2,23 dólares, ou 2,65 por cento, a 81,80 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, caía, oferecendo rendimento de 1,6503 por cento, frente a 1,62 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).

(Por Frederico Rosas; Edição de Danielle Fonseca)

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