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PANORAMA3-Mercados acentuam perdas com bancos espanhóis e Grécia

SÃO PAULO, 17 Mai (Reuters) – A preocupação com os bancos espanhóis ajudou as bolsas a ampliarem as perdas próximo ao fechamento da sessão nesta quinta-feira, após vários dias seguidos de quedas por causa da Grécia, que convocou novas eleições esta semana, e o anúncio de indicadores fracos sobre a economia nos Estados Unidos.

No mercado doméstico, o Ibovespa acompanhou o exterior e caiu mais de 3 por cento, enquanto o dólar, que estava em baixa ante o real, passou a subir e fechou com a maior cotação em quase três anos.

A agência de classificação de risco Moody’s cortou o rating de longo prazo e os de depósito de 16 bancos espanhóis no final da tarde desta quinta-feira, incluindo o Banco Santander , o maior da zona do euro. A Moody’s avalia que a capacidade do governo de apoiar alguns bancos enfraqueceu.

Mais cedo, as ações do banco espanhol parcialmente nacionalizado Bankia chegaram a cair quase 30 por cento, com rumores de fugas de depósitos. No entanto, o governo da Espanha negou que isso esteja acontecendo.

Ainda no exterior, o Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que só vai retornar à Grécia para revisar o programa de empréstimo depois das novas eleições, marcadas para 17 de junho, de acordo com o vice-diretor de assuntos internacionais do órgão, David Hawley.

Nos EUA, indicadores fracos também colaboraram para o mau humor nos mercados. O índice de atividade do Federal Reserve (banco central norte-americano) da Filadélfia caiu para -5,8 neste mês, ante 8,5 em abril, frustrando as expectativas dos economistas de ganho de 10,0.

Qualquer leitura abaixo de zero indica contração na manufatura da região. A pesquisa abrange fábricas no leste da Pensilvânia, no sul de Nova Jersey e em Delaware.

Ainda foram divulgados os grupos de indicadores econômicos antecedentes dos EUA, que recuaram 0,1 por cento, para 95,5, na primeira queda no índice mensal desde setembro de 2011. O indicador havia subido 0,3 por cento em março.

Com esses dados trazendo perspectivas negativas para a economia mundial, os principais índices acionários norte-americanos fecharam em baixa de mais de 1 por cento nesta quinta-feira, com o S&P 500 atingindo seu menor nível em quatro meses no encerramento.

Mais cedo, o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, já havia fechado em queda de 1,05 por cento, aos 982 pontos, seu menor nível em até cinco meses no encerramento.

No Brasil, o principal índice da Bovespa, por sua vez, recuou ao menor patamar em quase sete meses.

O clima de maior aversão ao risco ainda levou o dólar a voltar a ter alguma valorização e o euro a cair. Às 18h30 (horário de Brasília), o euro tinha recuo de 0,18. Ante uma cesta de divisas, a moeda norte-americana tinha, por sua vez, alta de 0,16 por cento.

Frente ao real, o dólar também virou próximo do fechamento da sessão, seguindo o exterior e fechando com a maior cotação desde 28 de maio de 2009, quando encerrou em 2,009 real.

Já a maioria dos contratos de juros futuros fechou em queda nesta quinta-feira, também cedendo devido ao exterior. Mais cedo, alguns contratos chegaram a subir com dados sobre comercializações no varejo.

As vendas do comércio varejista mostraram em março leves sinais de aquecimento da demanda no Brasil, ao avançarem 0,2 por cento ante fevereiro e 12,5 por cento em relação ao mesmo mês de 2011, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda no Brasil, foram divulgados dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pelo Ministério do Trabalho. Foram criadas 216.974 vagas de trabalho com carteira assinada em abril. Um ano antes, haviam sido abertos 272.225 novos empregos.

Entre os indicadores com divulgação prevista para a sexta-feira na agenda doméstica estão o IBC-Br de março, pelo Banco Central, e o índice de confiança do empresário em maio, pela Conferação Nacional das Indústria (CNI).

No exterior, está previsto o anúncio do índice de preços ao consumidor na Alemanha, referente a abril.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta quinta-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 2,0061 real, em alta de 0,23 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caiu 3,31 por cento, para 54.038 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 8,35 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caiu 2,65 por cento, a 26.488 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 8,180 por cento ao ano, ante 8,210 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h37 (Brasília), a moeda comum europeia era cotada a 1,2694 dólar, ante 1,2715 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 131,063 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,186 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 10 pontos, para 227 pontos-básicos. O EMBI+ avançava 8 pontos, a 381 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou em queda de 1,24 por cento, a 12.442 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 1,51 por cento, a 1.304 pontos, e o Nasdaq perdeu 2,10 por cento, aos 2.813 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto caiu 0,25 dólar, ou 0,27 por cento, a 92,56 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,6903 por cento, frente a 1,7586 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)