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PANORAMA3-Impasse grego derruba bolsas; dólar sobe 1,79% ante real

SÃO PAULO, 14 Mai (Reuters) – O impasse político na Grécia, que traz temores de que a crise da dívida da Europa se agrave, derrubou as bolsas internacionais nesta segunda-feira, somado ainda a preocupações em relação à economia chinesa. Com cenário de maior aversão ao risco, o dólar chegou a atingir 2 reais e a Bovespa caiu mais de 3 por cento.

As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em baixa de cerca de 1 por cento, enquanto o índice FTSEurofirst 300 , que reúne as principais ações europeias, encerrou em queda de 1,79 por cento, aos 1.004 pontos, o maior recuo de fechamento em 4 meses e meio.

Já o principal índice da bolsa brasileira fechou o pregão desta segunda-feira com a maior queda em quase oito meses, atingindo o menor patamar de encerramento do ano, ao recuar 3,21 por cento, para 57.539 pontos,

Na Grécia, após duas tentativas fracassadas, o presidente, Karolos Papoulias, disse que dará continuidade às negociações para formar um governo de coalizão com todos os partidos que conseguiram cadeiras no Parlamento na eleição de 6 de maio, noticiou a TV estatal na segunda-feira.

A reunião será realizada às 8h (horário de Brasília) de terça-feira. O líder socialista Evangelos Venizelos, no entanto, afirmou que não está otimista de que um governo de coalizão poderá ser formado, o que levaria a novas eleições no país.

A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) informou nesta segunda-feira que espera que a Grécia continue sendo parte da zona do euro, mas alertou que Atenas deve respeitar suas obrigações.

Reforçando o tom negativo nos mercados, a produção industrial da zona do euro recuou inesperadamente em março, com queda de 0,3 por cento na comparação com fevereiro. Economistas consultados pela Reuters esperavam um aumento de 0,4 por cento no mês.

O mercado ainda está atento ao ritmo da economia da China, já que, para estimular o crescimento, o país decidiu no sábado que vai cortar a taxa de depósito compulsório dos bancos em 0,50 ponto percentual.

O sentimento de forte aversão ao risco levou os investidores a correr para o dólar, que passou a se valorizar. Às 18h00 (horário de Brasília), por exemplo, a moeda norte-americana tinha alta de 0,53 por cento ante uma cesta de divisas, enquanto o euro operava em baixa de 0,33 por cento.

Ante o real, a moeda norte-americana chegou a subir 2,40 por cento e ficar no patamar de 2 reais, cotação que não era atingida, no intradia, desde 13 de julho de 2009. Com isso, ganhou força o receio de que o Banco Central possa atuar vendendo dólares para conter uma valorização excessiva da divisa norte-americana.

A piora do humor externo refletiu também nos juros futuros, com a maioria dos contratos fechando com fortes quedas e operadores vendo um cenário favorável para mais recuos da taxa básica de juros, atualmente em 9 por cento ao ano.

O Relatório Focus mostrou, por exemplo, que o mercado agora espera que a Selic caia para 8 por cento em 2012, ante previsão de 8,5 por cento feita na semana anterior.

Ainda no cenário doméstico, foi divulgada a balança comercial, que registrou na segunda semana de maio superávit de 1,631 bilhão de dólares, segundo dados do Ministério da Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O resultado foi influenciado por exportações de 5,976 bilhões de dólares e importações de 4,345 bilhões de dólares.No acumulado de maio, o superávit é de 2,191 bilhões de dólares.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta segunda-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,9899 real, em alta de 1,73 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caiu 3,21 por cento, para 57.539 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 6,3 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caiu 3,51 por cento, a 27.749 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 8,380 por cento ao ano, ante 8,470 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h50 (Brasília), a moeda comum europeia era cotada a 1,2826 dólar, ante 1,2915 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 131,813 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,022 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 7 pontos, para 208 pontos-básicos. O EMBI+ avançava 16 pontos, a 361 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,98 por cento, a 12.695 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 1,11 por cento, a 1.338 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,06 por cento, aos 2.902 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto caiu 1,35 dólar, ou 1,40 por cento, a 94,78 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,7688 por cento, frente a 1,8410 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)