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PANORAMA3-Bovespa tem máxima desde abril;dólar sobe após medidas

SÃO PAULO, 2 de março (Reuters) – O dólar saltou mais de 1 por cento, após o Banco Central fazer novos leilões de compra e ter anunciado na noite da véspera nova medida para evitar novas quedas da taxa de câmbio.

O BC decidiu que pagamentos antecipados de exportações para operações superiores a 360 dias pagarão Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6 por cento. Antes, essa modalidade tinha prazo ilimitado sem taxação. A decisão veio após, também na quinta-feira, a autoridade monetária ter ampliado de dois para três anos o período de incidência do IOF sobre empréstimos externos.

A nova medida, combinada com mais dois leilões de compra de dólares no mercado à vista pelo BC e a força da moeda norte-americana no exterior, levou o dólar a saltar 1,2 por cento, fechando a primeira semana em alta após duas em queda.

As expectativas em relação ao câmbio seguiram impactando os juros futuros, levando investidores a aumentarem apostas num corte de 0,75 ponto percentual da Selic -hoje em 10,50 por cento ao ano- na próxima semana. Pesquisa da Reuters mostrou, no entanto, que todos os 42 analistas consultados esperam uma queda de 0,50 ponto do juro.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feirá, é um dos dois grandes destaques da agenda brasileira na próxima semana. Um dia antes, o mercado vai conhecer a performance da economia no quarto trimestre, que deve ter crescido 0,2 por cento no período e 2,8 por cento em 2011, segundo a mediana de previsões de 29 analistas ouvidos pela Reuters.

A Bovespa conseguiu escapar da influência negativa de Wall Street, fechando na máxima em mais de dez meses nesta sexta-feira, também pelas expectativas de que o BC pode ser mais agressivo no corte da Selic na próxima semana.

Da fraca pauta de indicadores desta sexta-feira, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) caiu 0,46 por cento em janeiro, após queda de 0,17 por cento em dezembro, refletindo a crise internacional.

O noticiário foi escasso também no exterior. Mais cedo, dados mostraram que os bancos comerciais depositaram um valor recorde de 777 bilhões de euros no Banco Central Europeu (BCE) em depósitos de um dia, aproximadamente três quartos do dinheiro que o BCE colocou no sistema financeiro em duas injeções de dinheiro barato por meio de financiamentos de três anos.

O movimento, segundo especialistas, sinalizou o ceticismo do mercado sobre os atuais esforços para conter os problemas de dívida da região.

O índice europeu de ações FTSEurofirst 300 fechou praticamente estável, num dia de menor volume de negócios. O giro mais baixo afetou também as bolsas de valores nos Estados Unidos, que terminaram com ligeira queda, mas não o suficiente para impedir que os índices Standard and Poor’s 500 e o Nasdaq concluíssem a oitava semana de ganhos em nove.

A divulgação na sexta-feira dos dados gerais sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos de fevereiro é o principal evento da agenda macroeconômica internacional da próxima semana. Números de produção das fábricas na zona do euro, Grã-Bretanha e China também estão no radar.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta sexta-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,7326 real, em alta de 1,20 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa subiu 1,45 por cento, para 67.781 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 6,96 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caiu 0,29 por cento, a 35.042 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 9,590 por cento ao ano, ante 9,680 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h51, a moeda comum europeia era cotada a 1,3107 dólar, ante 1,3311 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil caía 3 pontos, para 190 pontos-básicos. O EMBI+ cedia 4 pontos, a 322 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou com variação negativa de 0,02 por cento, a 12.977 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 0,32 por cento, a 1.369 pontos, e o Nasdaqperdeu 0,43 por cento, aos 2.976 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto terminou em baixa de 2,14 dólares, ou 1,97 por cento, a 106,70 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,9756 por cento, frente a 2,03 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )(Por José de Castro; Edição de Patrícia Duarte)