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PANORAMA2-Temor por Grécia enfraquece mercados

SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) – Os mercados financeiros globais operavam no vermelho nesta segunda-feira, com temores de que a Grécia não aceite os termos de um segundo programa de resgate financeiro aumentando as incertezas sobre se o país conseguirá evitar um caótico default que golpearia toda a economia global.

Líderes políticos gregos ainda não concordaram em aceitar profundos cortes salariais e outras medidas consideradas impopulares, mas necessárias para que o país tenha acesso aos financiamentos da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), num momento em que a Grécia corre contra o tempo para honrar bilhões de euros em dívida até março.

Enquanto isso, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, deixou claro que a paciência da Europa está se esgotando sobre a lentidão das negociações entre os líderes políticos gregos.

As bolsas de valores na Europa, Estados Unidos e Brasil caíam no início da tarde, ao mesmo tempo que o dólar subia ante o euro e outras moedas.

O real, no entanto, tinha um desempenho melhor que o de seus pares internacionais, anulando as perdas de mais cedo ante o dólar e oscilando perto da estabilidade. Segundo operadores, prevalecia no mercado a percepção de que o Brasil seguirá atraindo dólares, em meio a novos anúncios de captações externas e também com a expectativa de novos ingressos relacionados à concessão privada de aeroportos brasileiros.

Grupos nacionais e estrangeiros vão desembolsar 24,5 bilhões de reais para assumir o comando de três dos maiores aeroportos do Brasil, mais de quatro vezes o valor mínimo de 5,5 bilhões de reais que o governo pedia pelo controle dos terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

A concessão dos empreendimentos para a iniciativa privada tem como pano de fundo a forte necessidade de investimentos na infraestrutura aeroportuária do país antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Entre as captações, a demanda pelas notas não-securitizadas de 10 anos da Brasil Telecom superou 6,3 bilhões de dólares, e os livros já foram fechados, informou o IFR, serviço de notícias da Thomson Reuters. A expectativa é de que a emissão possa atingir 1 bilhão de dólares.

Nesta segunda-feira, uma fonte afirmou à Reuters que o Banco Santander Brasil deu mandato a bancos para coordenarem uma captação externa com bônus de 5 anos, no montante de pelo menos 500 milhões de dólares.

Também o Minerva, um dos líderes na América do Sul na produção e comercialização de carne in natura, informou ter emitido 350 milhões de dólares em notes no mercado internacional, com vencimento em fevereiro de 2022, com forte demanda.

Os juros futuros continuavam em queda, em meio ao clima negativo no cenário internacional e a comentários do diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Sistema Financeiro do do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, de que há espaço para “afrouxamento monetário” no país, reforçando a expectativa de queda do juro.

As declarações repetiram comentários do presidente do BC, Alexandre Tombini, feitos na semana passada na Índia.

No início do dia, o relatório Focus do BC mostrou que o mercado voltou a prever que a Selic cairá a 9,5 por cento ao ano em abril, ante estimativa na semana anterior de queda a 9,63 por cento naquele mês, segundo a mediana das previsões. A taxa básica de juros está atualmente em 10,5 por cento ao ano e deve cair para 10 por cento na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em março, segundo a previsão consensual do mercado.

Veja como estavam os principais mercados financeiros às 14h25 desta segunda-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 1,7145 real, em queda de 0,15 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caía 0,10 por cento, para 65.149,49 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 2,4 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros subia 0,09 por cento, a 33.978,14 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2013 estava em 9,460 por cento ao ano, ante 9,500 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3110 dólar, ante 1,3112 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia/caía para x por cento do valor de face, oferecendo rendimento de x por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil mantinha-se estável em 208 pontos-básicos. O EMBI+ também permanecia estável em 343 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caía 0,3 por cento, a 12.823 pontos, o S&P 500 tinha baixa de 0,25 por cento, a 1.341 pontos, e o Nasdaq perdia 0,27 por cento, aos 2.897 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto registrava baixa de 0,77 dólar, ou 0,79 por cento, a 97,07 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,9206 por cento, frente a 1,9240 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )(Por José de Castro; Edição de Hélio Barboza)