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PANORAMA2-Temor com Grécia derruba bolsas;locais repercutem IPCA

SÃO PAULO, 10 Fev (Reuters) – As incertezas sobre um acordo interno na Grécia minavam o sentimento de investidores nesta sexta-feira, após sinais de divergência dentro da própria coalizão do governo grego e novas exigências de parceiros europeus para liberarem mais financiamentos terem intensificado os temores de que o país não consiga evitar um calote da dívida.

No Brasil, o destaque da agenda era o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) -referência para o regime de metas de inflação do governo-, que foi de 0,56 por cento em janeiro, mas desacelerou a 6,22 por cento no acumulado em 12 meses.

Para profissionais do mercado, a desaceleração do IPCA em 12 meses reforça a avaliação do Banco Central de que a inflação converge para o centro da meta neste ano, o que abre espaço para novos cortes da taxa básica de juros, com a Selic podendo terminar o ano a um dígito.

Na apresentação do Boletim Regional do Banco Central, em Fortaleza (CE), o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, afirmou que a visão do banco é de que o balanço de risco para inflação é favorável para um número inferior a 4,7 por cento neste ano, projeção que consta do último Relatório Trimestral de Inflação da autoridade monetária.

Outros indicadores de inflação também vêm apontando para um cenário de preços menos pressionados. O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), divulgado nesta manhã, caiu 0,10 por cento na primeira prévia de fevereiro, ante variação negativa de 0,01 por cento no mesmo período de janeiro.

Os contratos de DI mais líquidos chegaram a abrir em queda, mas passaram a oscilar entre estabilidade e leve alta, com ajustes técnicos.

Os demais mercados domésticos refletiam principalmente a aversão a risco no exterior, diante de crescentes dúvidas sobre a capacidade da Grécia de escapar da bancarrota.

O líder de um partido da extrema direita na coalizão governista da Grécia disse nesta sexta-feira que não poderia votar em favor de um acordo de resgate de 130 bilhões de euros, do qual o país precisa para evitar ir à falência.

Ainda que o partido tenha apenas 15 dos 300 parlamentares, os comentários aumentaram a apreensão dos agentes antes de uma votação parlamentar sobre o acordo prevista para domingo.

Para piorar, os financiadores da Grécia pediram a aprovação de mais 325 milhões de euros em reduções de gastos até a próxima quarta-feira e um forte comprometimento de todos os partidos para implementar as reformas, antes de liberarem mais ajuda.

O país sofria com uma onda de greves que paralisou o transporte público em Atenas, com a população contra mais medidas de austeridade, ao mesmo tempo em que o ministro das Finanças do país, Evangelos Venizelos, reiterava a necessidade da aprovação dos termos do resgate.

O dólar subia ante o real, refletindo o movimento da moeda no exterior. O euro caía, enquanto as bolsas de valores na Europa e nos Estados Unidos perdiam quase 1 por cento.

Não bastasse o mau humor externo, o tombo de 7 por cento nas ações da Petrobraspressionava ainda mais o Ibovespa.

Na noite de quinta-feira, a Petrobras anunciou lucro líquido de 5,05 bilhões de reais no quarto trimestre de 2011, queda de 52,4 por cento ante o mesmo período do ano anterior. No ano de 2011, o resultado foi de 33,3 bilhões de reais, 5 por cento inferior ao lucro de 2010.

O presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, disse que a queda no lucro em 2011 ocorreu por conta de problemas conjunturais que limitaram a produção e reduziram a capacidade da companhia de investimento.

Em paralelo, dados fracos sobre o comércio externo chinês amparavam preocupações sobre a demanda global, corroborando um viés mais defensivo nas operações.

Nos Estados Unidos, o déficit comercial em dezembro cresceu para 48,8 bilhões de dólares, acima do esperado, com o saldo comercial negativo com a China batendo recorde. No ano, o déficit comercial dos Estados Unidos subiu 11,6 por cento, para 558 bilhões de dólares, o mais alto desde 2008.

Dados sobre a confiança do consumidor norte-americano no início de fevereiro também não ajudaram. A confiança caiu para 72,5 na leitura preliminar do mês, ante 75 em janeiro, em meio a preocupações com a queda na renda.

Veja como estavam os principais mercados financeiros às xhx desta sexta-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 1,7270 real, em alta de 0,31 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caía 1,95 por cento, para 64255 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 4,726 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caía 1,85 por cento, a 33498 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2014 estava em 9,730 por cento ao ano, ante 9,740 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada 1,3191 dólar, ante 1,3281 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 133,125 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,303 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 2 pontos, para 197 pontos-básicos. O EMBI+ avançava 6 pontos, a 341 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caia 0,91 por cento, a 12772 pontos, o S&P 500 tinha baixa de 0,81 por cento, a 1341pontos, e o Nasdaq perdia 0,7 por cento, aos 2906 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto registrava baixa de 1,48 dólar, ou 1,48 por cento, a 98,35 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,9775 por cento, frente a 2,036 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )(Por José de Castro; Edição de Diogo Ferreira Gomes)