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PANORAMA2-Temor com Grécia afeta mercados; dólar sobe

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) – Um revés nas negociações para um acordo entre a Grécia e credores privados minava o sentimento do investidor nesta terça-feira, ofuscando dados melhores que o esperado sobre a atividade econômica da zona do euro neste mês.

A Grécia precisa chegar a um acordo a fim de garantir recursos adicionais de que precisa para evitar um default desordenado, o que poderia alvejar a economia global e o já frágil sistema bancário europeu.

Na véspera, os ministros das Finanças da zona do euro rejeitaram uma proposta de credores privados, segundo a qual o prejuízo máximo num eventual swap da dívida seria de 50 por cento e os títulos recebidos por esses investidores em troca pagariam juro de 4 por cento, taxa considerada elevada.

Números melhores sobre a atividade na zona do euro não conseguiram animar os agentes. O índice preliminar Markit/CDAF de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira, que combina dados das empresas de serviços e de manufatura, aumentou para 50,9 em janeiro, após 50,0 em dezembro.

O euro voltava a ser cotado abaixo de 1,30 dólar, o que favorecia a alta da moeda norte-americana ante uma série de divisas, inclusive o real. O principal índice de ações da Europacedia quase 1 por cento, em linha com o mau desempenho dos pregões em Nova York e São Paulo.

As ações da blue chip Petrobras ajudavam a segurar as perdas do Ibovespa, mantendo-se em território positivo após a forte alta da véspera, quando foi anunciado que Maria das Graças Foster, atual diretora de Gás e Energia da estatal, foi indicada para assumir a presidência no lugar de José Sérgio Gabrielli.

No front macroeconômico, o mercado recebeu os números sobre o balanço de pagamentos do Brasil em dezembro. O déficit nas transações correntes ficou em 6,04 bilhões de dólares no mês passado, atingindo 52,612 bilhões de dólares, contra 47,323 bilhões de dólares em 2010, segundo dados do Banco Central.

Ainda assim, os investimentos produtivos foram suficientes para cobrir o déficit no período. Os investimentos estrangeiros diretos (IED) no país somaram 6,645 bilhões de dólares em dezembro, menos da metade dos 15,374 bilhões de dólares em dezembro de 2010. Em todo o ano passado, o IED atingiu 66,66 bilhões de dólares, contra 48,506 bilhões de dólares no ano anterior.

O Banco Central prevê que o déficit em conta corrente do país ficará em 6,7 bilhões de dólares em janeiro. Para o mesmo período, a autoridade monetária calcula que o IED chegará a 4,5 bilhões de dólares, insuficiente para cobrir o rombo da conta corrente. Até o dia 24 deste mês, o IED já estava em 4 bilhões de dólares.

O BC informou ainda que o fluxo cambial foi positivo em 6,654 bilhões de dólares em janeiro até o dia 20, com entradas líquidas de 3,636 bilhões de dólares apenas na semana passada. Até sexta-feira passada, os bancos sustentavam posição comprada em dólar no mercado à vista de 4,84 bilhões de dólares.

Mais cedo, investidores monitoraram a leitura de janeiro do O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) -considerado uma prévia da inflação oficial-, que superou expectativas ao subir 0,65 por cento em janeiro, ante alta de 0,56 por cento em dezembro.

O resultado acendeu uma luz amarela entre os analistas, que veem mais dificuldade para a continuidade do afrouxamento da política monetária.

Apesar disso, os DIs caíam, pressionados pelo clima arisco no exterior.

Veja como estavam os principais mercados financeiros às 13h25 desta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 1,7640 real, em alta de 0,67 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caía 0,6 por cento, para 62.013 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 1,54 bilhão de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caía 0,65 por cento, a 32.597 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2013 estava em 9,820 por cento ao ano, ante 9,860 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,2979 dólar, ante 1,3027 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 132,250 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,627 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil mantinha-se estável em 209 pontos-básicos. O EMBI+ também se estabilizava nos 359 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caía 0,52 por cento, a 12.642 pontos, o S&P 500 tinha baixa de 0,51 por cento, a 1.309 pontos, e o Nasdaq perdia 0,27 por cento, aos 2.776 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto registrava baixa de 0,69 dólar, ou 0,69 por cento, a 98,89 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, caía, oferecendo rendimento de 2,0671 por cento, frente a 2,0580 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )(Por José de Castro; Edição de Hélio Barboza)