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PANORAMA2-Mirando UE, bolsas caem; Espanha e Chipre pedem ajuda

SÃO PAULO, 25 Jun (Reuters) – Os principais mercados registram fortes quedas nesta segunda-feira, com atenção voltada à crise da dívida na zona do euro, em dia de formalização de pedido de ajuda ao setor bancário da Espanha e de anúncio do Chipre de que vai buscar auxílio financeiro internacional para conter sua exposição à Grécia.

O ambiente de maior aversão ao risco entre os investidores é reforçado pela falta de expectativas quanto a resoluções para conter a crise durante a próxima cúpula da União Europeia (UE), nas próximas quinta e sexta-feiras, em Bruxelas. A chanceler alemã, Angela Merkel, por exemplo, já reiterou sua resistência à emissão de dívida comum, na semana passada.

Refletindo esse cenário, as bolsas europeias despencaram nesta segunda-feira, com o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, fechando com a maior queda desde 1o de junho, segundo dados preliminares. Os papéis do setor bancário lideraram as perdas.

Nos Estados Unidos, os principais índices seguem a mesma trajetória, ampliando as perdas perto do meio da sessão e com o Nasdaq em torno do patamar de 2 por cento negativos. O Dow Jones e o S&P 500 também operam acima de 1 por cento.

No Brasil, o Ibovespa também refletia o exterior, embora sob forte influência do desempenho dos papéis da Petrobras , que têm forte queda de quase 7 por cento após o anúncio de reajuste de preços de combustíveis. Como resultado, o principal indicador da bolsa brasileira desabava cerca de 3 por cento.

Nesta segunda-feira, a Espanha, quarta maior economia da zona do euro, pediu formalmente ajuda europeia para seus bancos, mas a falta de detalhes reacendeu as dúvidas dos investidores sobre o setor financeiro diante da expectativa de que a agência de classificação de risco Moody’s rebaixe os ratings de todos os bancos espanhóis.

Horas depois, o Chipre afirmou que buscará ajuda financeira dos fundos de resgate da União Europeia (UE), o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês) e o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM), para conter exposição do setor financeiro à Grécia.

A indefinição política e econômica na Grécia, por sinal, ganha fôlego após o novo ministro das Finanças do país, Vassilis Rapanos, ter renunciado nesta segunda-feira ao cargo após uma doença que o deixou no hospital por vários dias, de acordo com o gabinete do primeiro-ministro grego.

No mercado de divisas, o dólar avança sobre o real, também diante das incertezas no exterior, mas com investidores limitando suas perdas devido a uma maior expectativa de atuação do Banco Central no câmbio. A divisa norte-americana também ganhava terreno frente ao euro e a uma cesta de divisas .

FOCUS E JUROS FUTUROS

Enquanto isso, no cenário doméstico, o mercado reduziu pela sétima vez seguida sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, de 2,30 por cento para 2,18 por cento, e manteve a perspectiva para a Selic neste ano em 7,50 por cento, de acordo com relatório Focus.

O documento, junto com o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) divulgado também nesta segunda-feira, e que desacelerou para uma alta de 0,16 por cento na terceira quadrissemana de junho, movimentaram o mercado de juros futuros.

Segundo profissionais do mercado, o cenário de crescimento fraco e inflação baixa tem se consolidado e mantém a perspectiva de mais cortes da Selic, com aumento das apostas em duas quedas de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juros nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho e agosto.

Em números separados, a Fundação Getulio Vargas informou ainda que o seu Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 2,8 por cento em junho na comparação com maio.

Ainda são aguardados para esta segunda-feira, na agenda doméstica, dados sobre a dívida pública federal e da balança comercial.

Veja como estavam os principais mercados financeiros às 14h20 (Brasília) desta segunda-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 2,0735 reais, em alta de 0,43 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caía 2,94 por cento, para 53.811 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 2,6 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caía 2,51 por cento, a 25.741 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2014 caía para 7,940 por cento, frente a 8,050 por cento registrado no fechamento anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,2501 dólar, ante 1,2568 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 129,250 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,428 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 7 pontos, aos 215 pontos-básicos. O EMBI+ ganhava 7 pontos, a 378 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caía 1,31 por cento, a 12.475 pontos, o S&P 500 tinha baixa de 1,79 por cento, a 1.311 pontos, e o Nasdaq perdia 2,01 por cento, aos 2.834 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto registrava baixa de 1,22 dólares, ou 0,97 por cento, a 78,79 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,6058 por cento, frente a 1,676 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Por Frederico Rosas; Edição de Camila Moreira)