Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

PANORAMA2-Mercado doméstico segue atento a mudanças na poupança

SÃO PAULO, 3 Mai (Reuters) – As expectativas sobre a alteração nas regras da caderneta de poupança são novamente o foco no mercado local nesta quinta-feira, com esboço de medida provisória visto pela Reuters apontando que será mantida a fórmula atual da remuneração da aplicação, enquanto a Selic for igual ou superior a 8,5 por cento ao ano.

O esboço da MP deve ser apresentado pela presidente Dilma Rousseff a líderes aliados nesta quinta-feira. Segundo o documento, quando a Selic estiver abaixo de 8,5 por cento ao ano, a poupança será remunerada pela Taxa Referencial (TR) mais 70 por cento da Selic.

Já quando a taxa básica estiver igual ou acima desse patamar, a regra atual, de TR mais 0,5 por cento de juro ao mês, será mantida, ainda de acordo com o esboço.

Dilma já havia reiterado nesta quinta-feira que o Brasil precisa reduzir as taxas de juros a níveis compatíveis com os praticados no mercado internacional, em meio a discussões sobre a possibilidade de alterações na poupança, que poderiam permitir uma Selic mais baixa.

A presidente tinha afirmado ainda que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falará com os jornalistas “mais tarde” sobre o assunto, após a posse do novo ministro do Trabalho, Brizola Neto.

Na quarta-feira, fontes do governo já haviam dito à Reuters que Mantega anuncia nesta quinta-feira a alteração na aplicação, e que esta deve ser encaminhada ao Congresso por meio de medida provisória.

Com as possíveis mudanças, os juros futuros continuavam, às 14h06 (horário de Brasília), em trajetória de queda, após já terem despencado na véspera. Os DIs eram afetados ainda pela produção industrial, que veio abaixo do esperado pelo mercado, de acordo com operadores.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira que a produção industrial brasileira caiu 0,5 por cento em março frente a fevereiro. Economistas consultados pela Reuters esperavam alta de 1,30 por cento no período.

Enquanto isso, no cenário externo, cautela é percebida, com algumas bolsas internacionais em queda e o dólar em leve alta após a divulgação de indicadores fracos nos Estados Unidos e com redução de expectativas sobre a possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) adotar novas medidas para ajudar a região.

As ações europeias anularam ganhos no fim do pregão desta quinta-feira, levando a um fechamento praticamente estável no continente. O índice europeu de ações FTSEurofirstencerrou preliminarmente com alta de 0,06 por cento, a 1.044 pontos. Já as bolsas norte-americanas operam em queda.

Entre os indicadores que afetaram os mercados, por um lado vieram dados positivos de novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que caíram mais do que o esperado na semana passada, com recuo de 27 mil, para 365 mil.

Por outro lado, o ritmo de crescimento no setor de serviços norte-americano desacelerou mais do que o esperado em abril, 53,5 no último mês, ante 56,0 em março, abaixo das previsões de economistas, que esperavam 55,5, de acordo com pesquisa da Reuters. Uma leitura acima de 50 indica expansão do setor.

Mais cedo, na Europa, o destaque foi a decisão do BCE que manteve as taxas de juros em 1,0 por cento e indicou que a instituição vai resistir aos pedidos para adotar mais ações a fim de enfrentar a crise da dívida da zona do euro.

Com alguns dados ainda negativos, o dólar registra leve alta. Ante uma cesta de divisas, a moeda tinha, às 13h52 (horário de Brasília), alta de 0,13 por cento.

Ante o real, a moeda dos EUA também seguia em alta, acompanhando o exterior e com o mercado ainda atento ao Banco Central, que vinha tendo uma atuação mais forte no câmbio, mas que, desde a segunda-feira, não realiza leilões de compra de dólares no mercado à vista.

Veja como estavam os principais mercados financeiros às 14h10 (Brasília) desta quinta-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 1,9280 real, em alta de 0,17 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caía 0,72 por cento, para 61.972 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 3,6 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caía 1,32 por cento, a 30.375 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

O DI janeiro de 2014 estava em 8,500 por cento ao ano, ante 8,540 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3148 dólar, ante 1,3145 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 132,063 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,019 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil caía 5 pontos, para 178 pontos-básicos. O EMBI+ cedia 5 pontos, a 316 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caía 0,34 por cento, a 13.223 pontos, o S&P 500 tinha baixa de 0,54 por cento, a 1.394 pontos, e o Nasdaq perdia 0,95 por cento, aos 3.030 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto registrava baixa de 2,64 dólar, ou 2,52 por cento, a 102,57 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,9242 por cento, frente a 1,928 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)