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Pânico na Europa afetaria todo o mundo

Num cenário de instabilidade geral, os investidores passam desconfiar de quase todo tipo de investimento. Não somente o euro seria atingido num quadro de temores generalizados na Europa, mas também outras moedas, como as dos países emergentes. Na outra ponta, o dólar voltaria a ficar mais forte.

“Tal como vimos na última crise, os investidores continuam a ver os títulos do Tesouro dos Estados Unidos como um verdadeiro porto seguro. A conseqüência da compra intensiva destes papéis seria a valorização da moeda americana”, explica o estrategista-chefe do West LB, Roberto Padovani.

O governo de Barak Obama já vem pressionando a China para que desvalorize sua divisa, o yuan. A preocupação é controlar uma de suas principais fragilidades econômicas, que são os seguidos déficits comerciais � o saldo negativo de 39,7 bilhões de dólares relativo a fevereiro, anunciado hoje, veio acima do esperado pelos analistas.

As relações com os chineses respondem por boa parte do problema. Ora, um euro desvalorizado tornaria os bens e serviços europeus, principalmente alemães e franceses, fortes candidatos a entrarem com força nos Estados Unidos. As vendas externas americanas, por sua vez, seriam prejudicadas. Em resumo, a crise na Europa atingiria em cheio os Estados Unidos, que é o maior motor da economia mundial.

A Europa também tem de ser entendida como uma importante consumidora global. A estagnação econômica na região iria se traduzir, portanto, em retração do comércio. “Um crescimento ainda menor da Zona do Euro implicaria queda das exportações, em quantidade e preços, para todos os participantes do comércio internacional, inclusive para o Brasil”, destaca Zeina Latif, economista-chefe do ING Bank.

Por fim, o mundo cresceria de forma mais lenta. “A aversão ao risco dos investidores retardaria a realização de investimentos, que são o combustível do crescimento futuro”, acrescenta Padovani.