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Países já fizeram acordo para a compra de 11,7 bilhões de doses de vacinas

Valor estimado dos acordos ultrapassa 100 bilhões de dólares; Pfizer e Moderna são as empresas que mais devem faturar com os imunizantes

Por Josette Goulart Atualizado em 7 jan 2021, 15h56 - Publicado em 7 jan 2021, 15h33

Grande esperança para a retomada da vida em parâmetros conhecidos antes de 2020, as vacinas já são realidade em muitos países. Ao todo, já foram comercializadas 11,7 bilhões de doses de imunizantes contra a Covid-19 em todo o mundo, um volume que seria suficiente para vacinar com duas doses cerca de 75% da população mundial. O levantamento é da consultoria de análises científicas Airfinity, com sede em Londres, que desde o começo da pandemia faz o acompanhamento das negociações dos governos em torno da vacina.

Os acordos monitorados até esta quinta-feira, 07, envolvem dezesseis laboratórios que hoje pesquisam e desenvolvem vacinas contra a Covid-19. Pelos preços até agora divulgados ou estimados sobre o valor de cada dose, das diferentes empresas, a estimativa é de que os negócios já tenham ultrapassado a casa dos 100 bilhões de dólares. O estudo da Airfintiny também mostra que, juntos, os países têm capacidade de produzir, em 2021, mais de 12 bilhões de doses.

Apesar de ser um dado animador, a disparidade entre os países é gigante, o que mostra que os países mais pobres podem ficar para trás, uma preocupação que tem sido compartilhada pela Organização Mundial da Saúde. Das 11,7 bilhões de doses, cerca de 2,4 bilhões foram compradas pelos Estados Unidos, quantidade suficiente para vacinar, com duas doses, três vezes a população americana. A União Europeia fez acordos para comprar 1,9 bilhão, o Reino Unido cerca de 500 milhões de doses e o Brasil cerca de 540 milhões de doses.

A Covax Facility, um consórcio de países liderado pela OMS para distribuir igualitariamente a vacina pelo mundo, comprou cerca de 2,2 bilhões. Segundo anúncio feito em dezembro pela Covax, a estimativa é que no primeiro semestre de 2021 trabalhadores de saúde e assistência social de 175 países que entraram no consórcio sejam vacinados. Até o fim do ano, a estimativa é de que 20% da população destes países esteja vacinada.

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Mas essas estimativas só poderão se confirmar se todas as nove vacinas compradas pela Covax se mostrarem eficazes. Os países compraram quantidades excedentes justamente por causa das incertezas quanto à eficácia das vacinas. Até agora apenas Pfizer, Moderna e AstraZeneca já tiveram autorizações, pelo menos em alguns países, para terem suas vacinas aplicadas na população. O Brasil, por exemplo, até agora, não deu autorização para nenhuma das vacinas que estão em desenvolvimento no mundo. Pfizer, AstraZeneca/Fiocruz e Sinovac/Butantan assinaram acordo de intenção de compra e venda. Nesta quinta-feira, 7, o Butantan afirmou que irá entrar com pedido de uso emergencial do imunizante. Segundo o Instituto, a vacina demonstrou eficácia de 78% nos testes clínicos. 

Para a indústria farmacêutica, que desenvolveu as vacinas em tempo recorde, a corrida também significa lucro. Desde o começo do desenvolvimento das vacinas, quem mais vendeu doses foi a AstraZeneca. Foram cerca de 3,3 bilhões de doses, apesar de só ter capacidade de produzir 2,5 bilhões. Em segundo lugar está a Pfizer, com 1,4 bilhões de doses negociadas. A Moderna tem 772 milhões de doses vendidas segundo a Airfinity. Mas em faturamento, a equação muda drasticamente. O preço da dose da vacina da AstraZeneca custa entre 3 e 4 dólares, já a da Pfizer custa cerca de 20 dólares e a da Moderna mais de 30 dólares. Nessa equação, mesmo com menos doses vendidas, a Moderna faturaria duas vezes e meia mais do que a AstraZeneca.

Os países com maior capacidade de produção são a Índia, seguida pelos Estados Unidos e pela China. Só a Índia tem capacidade de produzir mais de 3 bilhões de doses, ainda em 2021. A China apesar de ser um grande produtor, não foi até agora um grande comprador da vacina. Segundo especialistas, isso acontece porque o país montou um forte esquema preventivo de disseminação do vírus, com testes e lockdowns, que tornaram o país mais preparado para a pandemia mesmo sem a vacina.

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