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Países Brics voltam a criticar política monetária dos EUA e da Europa

Em comunicado oficial, países entoam coro da presidente Dilma e criticam desequilíbrios causados pelos planos de estímulo do Fed e do Banco Central Europeu

Por Da Redação 27 mar 2013, 14h45

O grupo dos países dos Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, voltou a criticar os movimentos dos bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão para estimular a atividade econômica no mundo desenvolvido. Em comunicado divulgado ao final do encontro dos países em Durban, na África do Sul, os líderes entoaram o mantra há anos proferido pela presidente Dilma, de que a injeção de divisas para estimular o crescimento dos países em crise tem “efeitos negativos” nos chamados emergentes. Os governantes também apelaram para que essas economias façam mais para impulsionar o crescimento global – sem usar política monetária expansionista.

Os bancos centrais de países desenvolvidos injetaram trilhões de dólares na economia global nos últimos dois anos com o objetivo de estimular o crescimento econômico por meio do aumento do crédito. A grande crítica dos emergentes, sobretudo do governo petista, é de que essas divisas acabaram sendo direcionadas para investimentos especulativos em países emergentes, criando desequilíbrios nos fluxos de capitais e descompasso cambial. Os países desenvolvidos vêm rebatendo tais argumentos ao longo dos últimos anos, avisando que não há muito que possam fazer além de, literalmente, colocar dinheiro na economia para fazê-la acordar.

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Diz o comunicado: “os bancos centrais nas economias avançadas responderam com ações não convencionais de política monetária que aumentaram a liquidez global. Grandes bancos centrais deveriam evitar as consequências não intencionais dessas ações na forma de volatilidade crescente dos fluxos de capitais, moedas e preços de commodities, que podem ter efeitos negativos sobre o crescimento em outras economias, em particular os países em desenvolvimento”.

Sob a gestão petista, o Brasil foi o grande idealizador de políticas protecionistas, além de criar entraves para os poucos acordos comerciais que o país detém. E é justamente o Brasil o maior defensor, em Durban, para que o próximo dirigente da Organização Mundial do Comércio (OMC) venha de um país em desenvolvimento – em especial o próprio candidato brasileiro, Roberto Azevêdo. O país não chegou a sugerir oficialmente seu candidato como sendo a opção oficial do grupo, mas conversas foram levadas adiante neste sentido.

Os cinco países dos Brics fracassaram em apoiar um candidato único para liderar o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial quando os cargos de direção dessas instituições ficaram vagos no ano passado.

Eles também expressaram “preocupação profunda com a deterioração da situação humanitária e de segurança na Síria” e defenderam uma solução para as disputas sobre o programa nuclear do Irã por meio de negociações e não pela força. “Estamos preocupados com ameaças de ação militar, bem como sanções unilaterais”, diz o comunicado do grupo.

(Com Estadão Conteúdo)

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