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País bate recorde de novos empregos em 2010

Apesar do recorde histórico, de 2,5 milhões de empregos, os números de dezembro mostraram queda; o saldo negativo ficou em 407 mil vagas

Por Luciana Marques e Ana Clara Costa - 18 jan 2011, 14h25

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, negou manipulação de dados, que foram divulgados com antecedência para que o governo pudesse cumprir metas

O Ministério do Trabalhou anunciou nesta terça-feira que mais de 15 milhões de empregos foram criados entre 2003 e dezembro de 2010. Apenas em 2010, o número de novas vagas foi de 2,5 milhões, já descontadas as demissões. Trata-se do melhor resultado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – que até então havia sido de 1,6 milhão de empregos em 2007. Os números foram divulgados pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e somam os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e da Rais (Celetistas e Servidores Públicos Federais, Estaduais e Municipais).

O número torna-se ainda mais expressivo se comparado ao resultado de 2009 – ano em que o Brasil amargou os efeitos da crise financeira e fechou o período com a criação de 995 mil novos postos de trabalho. Na comparação dos dados do ano passado com os do ano anterior, a evolução do emprego com carteira assinada no Brasil chega a 153,7%. “A consequência da crise de 2009 fez com que a retomada dos números de 2010 fosse mais forte”, avaliou o ministro Carlos Lupi.

Dezembro teve saldo negativo – Apesar do recorde histórico, os números de dezembro mostraram queda, corroborando as perspectivas de desaceleração econômica. O saldo (admissões menos demissões) do último mês do ano ficou negativo em 407 mil vagas. Trata-se do terceiro maior número do governo Lula – perdendo apenas para dezembro de 2009 (quando as demissões superaram as contratações em 415 mil postos de trabalho) e 2008 (com saldo negativo de 655 mil). Nos demais meses de dezembro do governo Lula, os desligamentos sempre superaram as admissões, mas ficaram em um nível inferior a 400 mil postos de trabalho.

Setores – Os principais setores responsáveis pelo aumento anual foram serviço, comércio, indústria da transformação e construção civil. Apenas a agricultura apresentou saldo negativo de 2 580 postos de trabalho. Os estados que mais geraram empregos foram São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Já o número negativo de dezembro teve contribuição do setor industrial, que foi o setor que registrou a maior redução de empregos (1,90%). Segundo o Ministério do Trabalho, a queda do número de empregos para o mês foi decorrente de fatores sazonais, como entressafra agrícola, fim do período escolar e fatores climáticos.

Otimismo – Lupi está otimista com o desempenho do mercado de trabalho em 2011. A expectativa dele é que o número de empregos formais gerados seja ainda maior que o de 2010: 3 milhões. A alta, segundo o ministro, deverá ser puxada por serviços, comércio e construção civil.

Os dados de empregos da Rais, que costumam ser divulgados em maio, foram antecipados pelo Ministério do Trabalho. Com isso, o governo conseguiu cumprir as metas previstas de geração de empregos anunciadas por Lula nos palanques no período pré-eleitoral. Lupi negou. “Não há manipulação, a metodologia é a mesma. Apenas estou antecipando a divulgação”, disse o ministro.

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