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Pai de Gisele revela segredos de gestão que nortearam carreira da filha

Em seu novo livro, Singular, autor mostra que desenvolver as próprias qualidades pode ser mais eficaz do que mirar as características dos que têm sucesso

Gisele Bündchen ostenta os atributos físicos necessários para o sucesso de qualquer top model. Mas, como explicar, apenas por sua aparência, que a gaúcha de Horizontina conseguiu construir um império e se tornar a 95ª mulher mais poderosa do mundo, com uma fortuna avaliada em 250 milhões de dólares, segundo a Forbes, antes mesmo de completar 33 anos? Além do sucesso profissional e financeiro, a übermodel – palavra criada apenas para separá-la da classificação das supermodelos ‘normais’ – conseguiu capitalizar de forma impressionante os ganhos sobre sua imagem, sem torná-la popularesca ou ‘fashionista’ demais. Tudo foi feito na medida certa. A receita para tamanho sucesso é atribuída ao talento de Gisele, mas também às dicas de gestão de seu pai e principal mentor, Valdir Bündchen.

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O sociólogo de 64 anos é empresário, pós-graduado em Gestão e Marketing, além de ser autor de livros sobre planejamento estratégico profissional e realizar palestras motivacionais. Sua última obra, escrita em parceria com o filósofo e jornalista Jacob Pétry, foi lançada neste mês pela editora Leya. Em seu novo livro, Singular – O poder de ser diferente, o autor tenta mostrar como é possível transformar habilidades pessoais em ferramentas de sucesso. Segundo Bündchen ‘pai’, em tempos de comportamento massificado, é preciso que as pessoas aprendam a valorizar sua singularidade. Essa foi uma das principais lições que o pai de Gisele deu para que a filha conduzisse sua carreira internacional. Gisele focou nas características dela, no que sabia fazer de melhor. E fez”, afirmou Bündchen. Confira trechos da entrevista concedida ao site de VEJA.

O que levou Gisele ao sucesso, além de sua beleza?

A base do sucesso está na formação e nas escolhas que cada um faz. O que fez dela (Gisele) uma pessoa diferente tem todo um contexto por trás. Ela teve influências da família, dos amigos, das pessoas com as quais ela convivia, do lugar onde ela morava e estudava e talvez até mesmo da religião. Todos esses elementos são responsáveis por formar o caráter do indivíduo. Gisele focou nas características dela, no que sabia fazer de melhor. E fez. Ela é o exemplo completo de uma pessoa que apostou em si mesma.

Ser ‘singular’ é, necessariamente, ser diferente?

Bom, tudo começa com a singularidade. Ela está na estrutura humana. Somos diferentes uns dos outros. A questão central é aproveitar justamente isso: as nossas peculiaridades. Singular não é um livro de receitas. Ele não fornece nenhuma fórmula secreta de como alcançar o sucesso, Mas dá dicas sobre como um indivíduo pode sair do nível considerado normal, se destacar e alcançar o superior. Para isso acontecer, é preciso buscar o autoconhecimento. Só assim é possível compreender a singularidade.

Então é preciso buscar uma habilidade que nos diferencia dos demais?

De uma forma bem simples. Se eu tenho clareza quanto às minhas aptidões, devo encontrar um meio de transformá-las em talento. Para isso, a primeira coisa a se fazer é desenvolver as habilidades que nos diferenciam para podermos potencializar essas aptidões. Depois disso, é necessário direcioná-las para o caminho adequado. Como isso pode ser feito? Potencializando o próprio talento.

Como se destacar numa sociedade que estimula a competição?

Para se adequar aos mercados, é preciso observá-los e enxergar as oportunidades. O problema é que somos marcados por um sentimento de urgência. Queremos tudo no nosso tempo, o mais rápido possível. Outro problema é o pensamento de que se pode fazer tudo sozinho. É possível desenvolver qualquer coisa sozinho? Claro que não. Para isso, o ideal é procurar os parceiros certos, que compartilhem de filosofias de vida parecidas, evitando possíveis conflitos. Trilhando esse caminho, a pessoa com certeza vai avançar.

Como saber se uma oportunidade é real ou ilusória?

As ilusões são muito fortes. Mas devemos ter em mente que nem sempre conseguimos o que queremos. Nunca se sabe o que pode acontecer. A ilusão é inevitável, mas devemos reconhecer e apreciar nossas habilidades. Ninguém tem certeza do que vai acontecer. Por isso, existe a necessidade de se criar um plano piloto para organizar as ideias e estudar as chances.

O senhor cita Apple, McDonald’s e Netflix como exemplos de empresas que percorreram o caminho da singularidade. Por quê?

Todas souberam lidar com os problemas concorrenciais que encontraram, resolvendo-os e partindo para outro patamar de desafios. Elas deram um novo encaminhamento para as dificuldades de mercado de seus setores, transformando-as em oportunidades. Por isso são empresas de sucesso. E o comportamento delas, de certa forma, deve inspirar pessoas que também precisam vencer obstáculos para mudar de patamar.