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Pacote da Grécia impede ganho maior nas bolsas de NY

Por Gustavo Nicoletta

Nova York – Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam em alta, mas distantes das máximas da sessão, devolvendo parte dos ganhos nos últimos momentos do pregão em meio à notícia de que alguns países da zona do euro passaram a discordar dos termos do novo pacote de resgate à Grécia.

O Dow Jones subiu 146,83 pontos, ou 1,33%, para 11.190,69 pontos, o equivalente a 178 pontos abaixo da máxima intraday. O Nasdaq avançou 30,14 pontos, ou 1,20%, para 2.546,83 pontos, após atingir um pico de 2.590,94 pontos ao longo do pregão. O S&P 500 teve ganho de 12,43 pontos, ou 1,07%, para 1.175,38 pontos, com máxima intraday de 1.195,86 pontos.

O jornal Financial Times divulgou que cerca de sete dos 17 países da zona do euro defendem que os credores privados da Grécia sofram baixas contábeis maiores do que aquelas previstas no segundo pacote de resgate ao país. Antes de a reportagem ser publicada, as bolsas subiam de forma acentuada, impulsionadas pela expectativa de que os países da zona do euro estariam preparando um plano que, entre outras medidas, expandiria a capacidade de empréstimos da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), fundo montado para auxiliar as nações da região afetadas pela crise.

Outro fator que ofereceu suporte ao mercado de ações foi o fato de o parlamento da Grécia ter aprovado um novo imposto sobre imóveis e propriedades, aumentando a austeridade fiscal em uma tentativa de garantir a próxima parcela do auxílio financeiro oferecido ao país pelos credores internacionais. Durante uma reunião em Berlim, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disseram estar comprometidos com o cumprimento das propostas para estabilizar a economia grega e solucionar a crise da dívida soberana local.

“Estamos nos apegando a qualquer declaração vinda da Europa”, disse Elliott Roman, diretor-gerente da Direct Access Partners. “Por enquanto, as coisas parecem estar caminhando na direção certa, mas a volatilidade pode tomar conta a qualquer momento.”

Alguns investidores também atribuíram o avanço dos índices acionários hoje ao ajuste de posições que antecede o encerramento do trimestre. O mercado vem oscilando bruscamente entre perdas e ganhos recentemente. Na semana passada, o Dow Jones acumulou queda de 6,4%, mas na semana anterior subiu 4,7%, mesmo sem tantos fundamentos que justificassem esses movimentos.

Hoje, o Conference Board divulgou que seu índice de confiança do consumidor subiu para 45,4 em setembro, de 45,2 em agosto. Em julho, no entanto, esse mesmo índice estava em 59,2. “As nuvens negras ainda estão por aí”, disse Daniel Morgan, gerente de carteiras de investimento da Synovus Securities. Segundo ele, a alta das bolsas esteve mais relacionada a uma “recuperação técnica” do que a um otimismo sustentado em relação à possibilidade de uma solução para a crise da dívida da Europa.

Outros indicadores divulgados hoje mostraram que os preços das moradias nas 20 maiores áreas metropolitanas dos EUA subiram 0,9% em julho na comparação com o mês anterior, mas caíram 4,1% em relação a julho de 2010.

No mercado de Treasuries, o preço dos papéis caiu, com respectivo movimento inverso dos juros, refletindo o aumento no apetite por risco e as expectativas positivas em relação ao potencial novo plano para conter a crise da dívida soberana da zona do euro.

Os preços dos Treasuries caíram mesmo diante da demanda relativamente forte observada num leilão de US$ 35 bilhões em T-notes de dois anos. Os papéis foram colocados a 0,249%, taxa inferior à de 0,251% projetada pelo mercado secundário. Isso sugere que os papéis foram vendidos por um preço maior do que o esperado.

Além disso, a procura pelas T-notes foi 3,76 vezes superior ao volume ofertado, maior nível desde setembro de 2010. Nos quatro leilões anteriores de bônus de igual duração, essa taxa ficou em 3,28. Esse foi o primeiro leilão de Treasuries desde que o Federal Reserve anunciou que pretende trocar os títulos de curto prazo que possui em seu balanço por papéis de maior duração. O banco central planeja vender US$ 400 bilhões em Treasuries que vão expirar dentro de três meses a três anos e usar o dinheiro para comprar títulos com vencimento dentro de seis a 30 anos.