Otimismo do setor de infraestrutura cai drasticamente, mostra estudo
A 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura mostra que a percepção favorável para novos projetos recuou 16,4 pontos percentuais
A percepção favorável sobre o ambiente para promover investimentos em infraestrutura no Brasil nos próximos seis meses caiu de 54,2% para 37,8%, um recuo de 16,4 pontos percentuais, segundo o 15º Barômetro da Infraestrutura Brasileira, divulgado nesta quarta-feira, 12. O estudo é elaborado semestralmente pela Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base (ABDIB) e pela EY-Parthenon, braço de estratégia e transações da consultoria EY. As avaliações desfavoráveis e neutras passaram a representar, respectivamente, 30,4% e 30,9% das respostas, sinalizando maior cautela entre investidores e empresas.
O resultado contrasta com o desempenho recorde dos investimentos no setor em 2025, que alcançaram 280,4 bilhões de reais — o maior valor da série iniciada em 2010. O montante representou crescimento real de 3,2% em relação a 2024, impulsionado sobretudo pelo capital privado, responsável por aproximadamente 80% dos aportes.
A piora das expectativas ocorre em meio a juros elevados, incertezas geopolíticas, volatilidade de commodities e restrições à expansão do investimento público. Para os próximos seis meses, 53% dos entrevistados esperam estabilidade da economia brasileira, mas a parcela otimista caiu de 27,1% para 20,1%, enquanto o pessimismo avançou de 22,1% para 26,5%. “O resultado sugere um ambiente mais cauteloso, em que a expectativa de continuidade dos investimentos permanece presente, mas com menor convicção quanto às condições de promoção de novos projetos no curto prazo”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura.
Apesar do recorde em investimentos, o estudo aponta que o país ainda enfrenta um grande déficit de infraestrutura: seriam necessários cerca de 225 bilhões de reais adicionais por ano, durante uma década, para cobrir as necessidades. O desafio, portanto, será transformar a carteira de projetos e o apetite privado em obras financiáveis, com previsibilidade regulatória, instrumentos de financiamento e maior participação do poder público e das parcerias público-privadas (PPPs).







