O que mantém Lula à frente em pesquisa apesar da percepção de piora da economia
Segundo o levantamento, essa vantagem está relacionada ao elevado índice de rejeição dos dois candidatos
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 5, mostra que a maioria dos brasileiros acredita que a economia piorou durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com percepção de alta nos preços dos alimentos, perda do poder de compra e dificuldade para conseguir emprego. Ainda assim, se a eleição fosse hoje, o petista seria reeleito no cenário de segundo turno diante da elevada rejeição ao sobrenome Bolsonaro.
Segundo o levantamento, 43% dos brasileiros afirmam que a economia está pior do que há um ano, mesmo percentual registrado na pesquisa de julho. Os que avaliam que a situação permaneceu igual somam 35%, ante 33% no levantamento anterior. Já os que acreditam que a economia melhorou recuaram de 20% para 19%. Outros 3% não souberam responder.
Quando o assunto é o preço dos alimentos, a percepção é ainda mais negativa. Para 68% dos entrevistados, os alimentos ficaram mais caros no último mês, acima dos 66% registrados em julho. Já 21% disseram que os preços permaneceram iguais, ante 23% na pesquisa anterior. Apenas 9% afirmaram que os alimentos ficaram mais baratos, mesmo percentual de julho, enquanto 2% não responderam.
A percepção sobre o poder de compra também continua desfavorável ao governo. A pesquisa mostra que 69% dos entrevistados acreditam que hoje conseguem comprar menos do que há um ano, ante 68% em julho. Os que dizem que o poder de compra permaneceu igual caíram de 21% para 20%, enquanto apenas 10% afirmam que ele aumentou, mesmo percentual do levantamento anterior. Outros 1% não souberam responder.
No mercado de trabalho, os indicadores apresentaram melhora, embora a avaliação negativa ainda predomine. Segundo a pesquisa, 48% afirmam que está mais difícil conseguir emprego do que há um ano, abaixo dos 55% registrados em julho.
Ao mesmo tempo, 41% dizem que está mais fácil encontrar uma vaga, ante 36% na pesquisa anterior. Outros 5% avaliam que a situação permanece igual e 6% não souberam responder.
Apesar da percepção negativa sobre a economia, a pesquisa indica vantagem de Lula na disputa presidencial. Em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente teria 44% das intenções de voto, contra 39% do adversário. Brancos, nulos e eleitores que afirmam não votar em nenhum dos dois somam 13%, enquanto 4% estão indecisos.
Segundo o levantamento, essa vantagem está relacionada ao elevado índice de rejeição dos dois candidatos. Lula é rejeitado por 52% dos entrevistados, enquanto 54% afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também mostra que 44% dos brasileiros dizem ter medo de uma volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 41% afirmam temer uma reeleição de Lula. Outros 7% dizem ter receio de ambos, 3% afirmam não temer nenhum dos dois e 5% não souberam responder.
Os resultados indicam um cenário em que a percepção sobre a economia continua desfavorável ao governo, mas em que a elevada rejeição ao bolsonarismo mantém Lula em vantagem no cenário de segundo turno apresentado pela pesquisa.







