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Os meandros das negociações para o resgate bancário da Espanha

Por Miguel Riopa - 10 jun 2012, 11h58

As incertezas sobre se a Espanha pediria ou não um resgate para seus bancos, e principalmente em que condições, duraram até o último minuto, em um novo episódio da crise na Europa marcado por tensas negociações, reuniões secretas e por desmentidos oficiais.

No sábado, após uma reunião telefônica de duas horas e meia dos ministros de Finanças da União Europeia, Madri oficializou sua demanda. A zona do euro a aceitou de imediato e prometeu um empréstimo de até 100 bilhões de euros para recapitalizar seu setor bancário.

Foi esse o resultado de duras negociações que se aceleraram em secreto na semana passada.

“A partir de quarta e quinta-feira, houve contatos constantes e estava claro que era preciso atuar rapidamente”, explicou um alto funcionário do governo europeu, que revelou à AFP a existência de uma primeira teleconferência do Eurogrupo, na quinta-feira pela manhã, “que não foi revelada”. “Foi nesse momento que iniciamos o processo”, segundo esta fonte.

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Começar um processo não significa que o acordo estava garantido e se iniciou então uma discussão entre Espanha e líderes europeus. A primeira armadilha veio da Espanha, que não queria dar a impressão de estar pedindo ajuda.

“Foi feito todo o possível para que o governo espanhol falasse primeiro”, afirma uma fonte diplomática.

Em público, os dirigentes europeus não diziam nada, mas em privado multiplicavam as pressões contra Madri.

A segunda dificuldade eram as condições do acordo.

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Segundo o alto funcionário governamental, a Espanha “precisava ser respeitada e não queria ficar sob tutela ou sob um novo programa de austeridade”, como foi o caso das condições draconianas que a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) impuseram à Grécia, Irlanda e Portugal.

“A ideia de uma ajuda à Espanha já vinha amadurecendo na Europa, mas não na Espanha”, disse uma fonte próxima às negociações. “Por isso houve pressões à Madri para que pedisse ajuda.

A partir do momento em que a Alemanha aceitou a ideia de contrapartidas unicamente bancárias, Madri teve sua vontade atendida.

Assi, a honra da quarta economia da zona do euro ficou a salvo e o ministro da Economia, Luis de Guindos, repetiu no sábado à tarde ante a imprensa que este plano “não tem nada a ver com um resgate”.

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Contudo, Helsinque se reservou ao direito de pedir “garantias” e Irlanda quer agora renegociar a dívida que obteve em condições menos vantajosas que as de Madri.

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