Os clubes de futebol não dependem tanto das bets quanto parece; veja os números
Cerca de 6% das receitas totais dos principais times vêm do patrocínio das casas de apostas, que estão proibidas no Brasil desde a semana passada
O dinheiro de patrocínio vindo de bets que vinha entrando nos últimos anos nos principais clubes de futebol do país já representa, sozinho, pouco mais de um terço de tudo o que eles recebem em patrocínio. Os times, contudo, têm outras fontes ainda maiores de receitas, como os direitos de exibição na televisão e a venda de jogadores, e o fato é que, somando tudo, o dinheiro recebido das bets – que muito provavelmente vai desaparecer depois que o governo federal proibiu as casas de apostas e qualquer publicidade delas em todo o país – pode fazer menos falta do que aparenta.
Esta é uma das conclusões do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR), que acompanha as demonstrações financeiras de dezesseis dos maiores clubes do país, e fez um balanço de seus resultados em 2025. O estudo mostra que, em 2025, o patrocínio das bets representou 5,8% de toda a receita que esses times tiveram em conjunto. “Os números indicam que, apesar da grande exposição das marcas de apostas nas camisas e transmissões esportivas, o peso delas nas contas dos clubes é significativamente menor do que sua presença visual pode sugerir”, disse o IPIE em sua análise.
O instituto também alerta para o alto endividamento dos clubes, que seguiu piorando mesmo com uma explosão nas receitas, impulsionada em grande parte pelas próprias bets. A dívida conjunta deles cresceu 54% desde 2022, mesmo com as receitas tendo dobrado no mesmo intervalo. O período analisado, de acordo com o IPIE, abarca justamente o momento em que os negócios com as casas de apostas começaram a ganhar maior relevância nos balanços do futebol. A dívida conjunta passou de 9,6 bilhões de reais em 2022 para 14,8 bilhões de reais em 2025. “Em 2025, dez dos 16 clubes analisados gastaram mais do que arrecadaram”, afirmou a entidade.
O levantamento acompanha o Athletico-PR, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco da Gama.
Tanto as plataformas de aposta, as chamadas bets, quanto os cassinos online estão proibidos em todo o país desde a sexta-feira passada, 25 de setembro. Como o banimento, contudo, foi feita pelo presidente Lula por medida provisória, ela ainda depende de votação e aprovação do Congresso para que não seja anulada e se torne uma lei permanente, o que deve acontecer em até 120 dias.
Quanto os times receberam das bets
Em 2025, as casas de apostas pagaram pelo menos 784 milhões de reais aos dezesseis clubes observados – foi possível levantar os dados discriminados para as bets em treze deles. O valor corresponde a 5,8% da receita conjunta das dezesseis equipes, que chegou a 13,5 bilhões de reais no ano passado.
As verbas vindas de publicidade como um todo, incluindo de outras marcas, representa 17% do total – ou seja, cerca de um terço dela já era bet. São outras, porém, as maiores fontes de dinheiro dos times: os direitos de TV e premiações representaram 31% da receita dos clubes analisados, e a venda de atletas, 29%. “Entendemos que o futebol não vai acabar”, afirmou o coordenador-geral do IPIE, Fernando Mezzadri, a respeito dos impactos do fim das bets para os clubes.
As informações usadas no levantamento do instituto foram obtidas nas demonstrações financeiras e notas explicativas dos clubes. Os dados de dívida têm como referência os estudos anuais da Sports Value.





