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“Os chineses não entendem por que o Brasil não quer o dinheiro deles”, diz JAC Motors

O presidente da empresa no país, Sérgio Habib, diz que não entrará com pedido de liminar na Justiça contra o IPI elevado, como fez a concorrente Chery

O presidente da JAC Motors Brasil, Sérgio Habib, está a caminho da China para se reunir com o governo local e decidir o futuro da montadora no país. A JAC havia anunciado recentemente a construção de uma fábrica em território nacional, mas o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 30 pontos porcentuais para automóveis importados, anunciado pelo governo na semana passada, colocou os planos em compasso de espera.”Os chineses não entendem por que o governo brasileiro não quer o dinheiro deles”, comenta. É que a mudança repentina nas “regras do jogo” e a pesada tributação imposta podem inviabilizar o projeto de instalar uma unidade da chinesa no país, num investimento, já anunciado, de 600 milhões de dólares.

Habib, no entanto, alimenta esperanças de que o governo reavaliará as medidas. “Tenho confiança de que o decreto vai mudar. Se não mudar, não haverá fábrica”, ameaça.

Não haverá ação na Justiça – O executivo afirmou que a JAC não entrará com pedido de liminar, como fez a concorrente Chery, mesmo se a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotoras (Abeiva), da qual é associada, optar por esse caminho. “Vou conversar com o governo. Entrar na Justiça não vai resolver nada”, explica. Nesta quarta-feira, a Chery conquistou na Justiça Federal do Espírito Santo a supensão por 90 dias da cobrança do novo imposto.

O presidente da montadora afirma que começou a ver movimentações em Brasília no começo do mês passado e decidiu se precaver. “Quando eu comecei a ver esses discursos protecionistas, tratei de tirar os carros da alfândega e a faturá-los”, explica.

Preço vai subir – Habib antecipou que a JAC elevará os preços dos automóveis, mas não no mesmo ritmo do aumento do IPI. Também afirmou que diminuirá a propaganda e prevê que a atividade comercial da marca caia. A montadora entrou este ano no país com marketing agressivo – um terço do investimento total de 380 milhões de reais foi direcionado à publicidade.

Habib participou da reunião da Abeiva com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, em São Paulo nesta tarde.

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