ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Operador do teleprompter de Trump é investigado por lucrar com apostas sobre discursos do presidente

Funcionário da Casa Branca é suspeito de usar acesso antecipado aos pronunciamentos de Donald Trump para ganhar dinheiro

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 15h03 | Atualizado em 16 jul 2026, 15h37
Operador do teleprompter de Trump é investigado por lucrar com apostas sobre discursos do presidente Priorizar nos meus resultados Google

Um dos funcionários mais próximos de Donald Trump entrou na mira das autoridades americanas por um tipo inusitado de suspeita de uso de informação privilegiada.

Gabriel Perez, operador do teleprompter do presidente desde a campanha eleitoral de 2016, está sendo investigado por supostamente lucrar com apostas feitas em plataformas de mercados de previsão a partir do conhecimento antecipado dos discursos do presidente.

Segundo pessoas familiarizadas com a investigação, Perez teria utilizado informações confidenciais sobre os textos que Trump leria em pronunciamentos públicos para apostar em mercados que permitem prever quais palavras ou expressões serão mencionadas durante discursos oficiais.

O caso amplia o debate sobre os riscos de manipulação e insider trading no crescente mercado de apostas sobre eventos políticos.

Como funcionam as apostas sob investigação

Diferentemente das apostas tradicionais, plataformas como Kalshi e Polymarket permitem negociar contratos baseados na probabilidade de um determinado evento acontecer.

Continua após a publicidade

Além de eleições, decisões do Federal Reserve ou indicadores econômicos, essas empresas passaram a oferecer mercados extremamente específicos, conhecidos como “mention markets”, nos quais usuários apostam se determinada palavra será ou não pronunciada por uma autoridade pública.

Entre os contratos disponíveis estavam apostas sobre a possibilidade de Donald Trump mencionar determinados países, termos econômicos ou slogans de campanha durante discursos oficiais, incluindo o tradicional pronunciamento anual ao Congresso americano.

Quem possui acesso antecipado ao texto desses discursos, em tese, teria enorme vantagem sobre os demais participantes.

Continua após a publicidade

Kalshi congelou conta após detectar operações suspeitas

Segundo o Financial Times, a própria Kalshi identificou movimentações consideradas atípicas ainda em março.

Após análises internas e entrevistas com o operador da conta, a empresa decidiu congelar os ativos relacionados às operações investigadas, retendo mais de US$ 90 mil (cerca de R$ 460 mil) em lucros obtidos nas apostas.

Continua após a publicidade

A companhia informou que encaminhou voluntariamente o caso à Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão responsável por supervisionar os mercados de derivativos e contratos futuros nos Estados Unidos.

Em publicação na rede X, o diretor jurídico da Kalshi afirmou que o sistema interno de monitoramento detectou rapidamente as operações e as comunicou às autoridades reguladoras.

A CFTC não confirmou oficialmente a existência da investigação, seguindo sua política de não comentar processos em andamento.

Continua após a publicidade

Funcionário acompanha Trump há quase uma década

Gabriel Perez atua como operador do teleprompter de Donald Trump desde 2016.

Sua função consiste em preparar e controlar os equipamentos que exibem os discursos do presidente durante eventos públicos, o que lhe dá acesso antecipado ao conteúdo integral das falas antes de sua divulgação.

Continua após a publicidade

Segundo a Casa Branca, Perez está colaborando com as investigações.

Em nota, um porta-voz afirmou que todos os funcionários do governo estão sujeitos a rígidas normas de ética e integridade.

Mercado cresce e desperta preocupação regulatória

O episódio ocorre em um momento de forte expansão dos chamados mercados de previsão, que ganharam popularidade durante as eleições americanas e passaram a atrair bilhões de dólares em negociações.

Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem que investidores negociem contratos relacionados a eventos políticos, econômicos, esportivos e corporativos, funcionando de forma semelhante aos mercados financeiros tradicionais.

Nos últimos meses, porém, reguladores e especialistas passaram a alertar que alguns desses contratos podem ser particularmente vulneráveis ao uso de informações privilegiadas.

Os chamados mercados de “menções” estão entre os principais alvos dessas críticas, justamente porque pessoas envolvidas na preparação de discursos, entrevistas ou comunicados oficiais podem conhecer previamente seu conteúdo.

Robinhood evitou esse tipo de aposta

As preocupações já levaram outras empresas a adotar restrições.

A corretora Robinhood, que mantém parceria com a Kalshi para oferecer contratos de previsão a seus clientes, informou anteriormente que decidiu não disponibilizar mercados baseados em palavras ou frases mencionadas em discursos públicos devido ao elevado risco de manipulação.

Mesmo representando uma parcela pequena do volume financeiro negociado, esses contratos vêm sendo vistos como um dos segmentos mais vulneráveis a práticas de insider trading.

Casos recentes aumentam pressão sobre plataformas

A investigação envolvendo o operador do teleprompter de Trump não é um episódio isolado.

No ano passado, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, chamou atenção ao encerrar uma conferência de resultados mencionando deliberadamente palavras que estavam sendo alvo de apostas na plataforma Polymarket, expondo a facilidade com que esse tipo de mercado pode ser influenciado.

Mais recentemente, promotores americanos também denunciaram um militar envolvido no planejamento de uma operação contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Segundo a acusação, ele teria obtido mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) em apostas relacionadas ao desfecho da missão antes de sua execução. O militar nega as acusações.

Os episódios reforçam um debate crescente nos Estados Unidos: à medida que os mercados de previsão se tornam mais populares e sofisticados, aumenta também o desafio para reguladores evitarem que informações confidenciais sejam transformadas em vantagem financeira antes de se tornarem públicas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).