Operação mira fraude de R$ 3,8 bilhões com créditos falsos de ICMS
Ao todo, são cumpridos 38 mandados de busca e apreensão contra advogados e consultorias em SP
A Polícia Civil, Militar e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram nesta quarta-feira, 15, a Operação Distrato. A ação mira um esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS que teria causado um prejuízo superior a 3,8 bilhões de reais aos cofres paulistas.
Ao todo, são cumpridos 38 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. As diligências ocorrem nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé — as duas últimas no Paraná — e contam com a participação de promotores, auditores fiscais, procuradores do Estado e policiais civis e militares.
Segundo as investigações, escritórios de advocacia e empresas de consultoria ofereciam a companhias paulistas créditos tributários com desconto, apresentados como supostos planejamentos tributários e acompanhados da falsa informação de que haviam sido regularmente autorizados pelo Fisco.
Após fechar o acordo, as empresas deixavam de recolher integralmente o ICMS e pagavam aos intermediários honorários de êxito que chegavam a 70% do valor dos créditos utilizados. Na prática, recursos que deveriam ser destinados aos cofres públicos acabavam sendo desviados para os responsáveis pelo esquema.
“Os elementos já reunidos comprovam que os créditos negociados não possuíam qualquer lastro econômico real. Para dar aparência de legalidade ao esquema, os investigados teriam recorrido a contratos, procurações, apólices e até a documentos fictícios atribuídos à própria Administração Tributária”, afirmou o Ministério Público.
De acordo com o órgão, o uso de créditos sem respaldo legal reduzia artificialmente o ICMS devido e retirava recursos destinados ao financiamento de serviços públicos. Até o momento, a Secretaria da Fazenda lavrou autos de infração contra 752 empresas supostamente envolvidas na fraude, em um montante sonegado superior a 3,8 bilhões de reais, o que, segundo as autoridades, evidencia a dimensão do esquema.
Além do impacto sobre a arrecadação, o Ministério Público destaca que a fraude também compromete a concorrência entre as empresas. Ao reduzir artificialmente a carga tributária, as companhias beneficiadas obtêm vantagem competitiva indevida sobre aquelas que cumprem regularmente suas obrigações fiscais, comprometendo a isonomia tributária e o ambiente de negócios no Estado.







