Onde o agro floresce: Sapezal lidera entre as pequenas cidades do Centro-Oeste
O dinamismo da produção rural, aliado ao equilíbrio fiscal, coloca o município entre os destaques da região
Bem posicionada no circuito brasileiro do turismo de natureza e aventura, graças às cachoeiras e praias fluviais formadas pela Bacia Amazônica, Sapezal, no oeste de Mato Grosso, também ocupa um lugar de destaque em outro mapa: o do agronegócio. O vigor da produção agrícola, aliado ao equilíbrio das contas públicas, colocou o município no topo do ranking de VEJA NEGÓCIOS entre as cidades de pequeno porte do Centro-Oeste. Entre outros benefícios gerados pelo dinamismo do campo, o crescimento médio anual da arrecadação supera a média nacional. Não por acaso, Sapezal ostenta nota A+, a classificação máxima do Tesouro Nacional para capacidade de pagamento, um reconhecimento alcançado por apenas sete municípios da região e somente três em todo o estado.
Com 13 500 quilômetros quadrados de terras férteis, Sapezal contribuiu para a expansão de alguns dos maiores grupos do agronegócio brasileiro, como Scheffer, Amaggi e Bom Futuro. Na safra 2025/26, soja, milho e algodão ultrapassaram, cada um, a marca de 1 milhão de toneladas produzidas. A produtividade impressiona: um único hectare pode render 350 arrobas de grãos, o que é resultado da junção de clima favorável, chuvas bem distribuídas e alto nível de tecnologia no campo.
Desde a emancipação, em 1994, a vocação para a agricultura mecanizada em larga escala e a distância dos grandes centros — Sapezal fica a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá — levaram a uma ocupação esparsa do território. A densidade demográfica permanece baixíssima, com pouco mais de dois habitantes por quilômetro quadrado. Ainda assim, a população cresceu de forma consistente na última década, na esteira da expansão das áreas cultivadas, da instalação de pequenas agroindústrias e da chegada de trabalhadores atraídos pelo avanço do setor. No último Censo, havia 29 000 habitantes.
A história da cidade está ligada ao empresário André Antônio Maggi, um dos pioneiros da ocupação da região. Coube a ele estruturar o núcleo urbano e atrair famílias do sul do país, que trouxeram experiência em produção agrícola e lançaram as bases do desenvolvimento local. “Aqui, costumamos dizer que nossa indústria fica a céu aberto”, diz o prefeito Claudio Scariote. A frase sintetiza a dependência da economia em relação ao campo, mas também evidencia um desafio. A distância dos portos exportadores encarece a logística e limita uma expansão mais acelerada. Além disso, a cidade ainda corrige deficiências herdadas dos primeiros anos de ocupação, quando o crescimento ocorreu mais rápido que a infraestrutura urbana. A prioridade agora é ampliar a oferta de moradias e universalizar as redes de saneamento. “Nossa meta é entregar novos conjuntos habitacionais já com toda a infraestrutura integrada”, afirma o prefeito.
A trajetória do produtor rural e corretor de cereais Paulo Edígio acompanha a própria transformação de Sapezal. Catarinense de nascimento, ele chegou à cidade aos 20 anos, justamente em 1994, no início da emancipação. Viu-se num lugar com apenas 37 casas e praticamente nenhum serviço público. “O importante era encontrar trabalho e construir uma vida”, diz. A oportunidade surgiu na Amaggi, onde fez carreira até se tornar gerente de logística e integração produtiva, testemunhando de perto a ascensão do Cerrado mato-grossense ao centro das exportações agrícolas brasileiras. Hoje, Edígio atua na venda internacional de grãos. Sua história resume a de muitos brasileiros que encontraram no interior de Mato Grosso não apenas uma fronteira agrícola, mas uma chance de prosperar.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







