Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Onda de frio e seca encarecem alimentos e impactam na inflação

Em agosto, IGP-10, da FGV, acelerou 1,18%; alimentos in natura para o produtor passaram de -2,21% para 5,12% e preço para o consumidor também subiu

Por Larissa Quintino Atualizado em 17 ago 2021, 14h56 - Publicado em 17 ago 2021, 09h16

Assim como a falta de chuvas, as baixas temperaturas, registradas em parte do país no fim de julho e início de agosto, atingiram em cheio plantações. E o impacto do clima pode ser sentido no bolso, com a aceleração da inflação. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 17, o IGP-10, que serve como prévia do indicador de preços da entidade, acelerou 1,18% em agosto, contra 0,18% em julho. A grande influência na alta do indicador está nos alimentos.

Para o produtor, o preço dos alimentos in natura nos bens finais passou de  -2,21%, em julho, para 5,12% em agosto e, para o consumidor, a alimentação subiu, de 0,45% no mês anterior, para 1,13% segundo os dados divulgados nessa terça-feira, 17. 

“Os efeitos da seca e das geadas estão mais evidentes no resultado do índice ao produtor. Entre os bens finais, os preços dos alimentos in natura avançaram 5,12%. Já entre as matérias-primas, os destaques foram as culturas mais afetadas pelo clima como milho (10,03%) e café (13,76%). Afora os preços dos alimentos, os combustíveis e lubrificantes para a produção subiram 3,72% e também contribuíram para a aceleração da inflação ao produtor”, afirma o economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV.

Os dados do IGP mantém a preocupação com a inflação, já que os alimentos estavam acelerando menos neste ano, em relação à alta de 2020, e o peso da inflação teve como vilões os combustíveis e o preço da energia elétrica nos dois primeiros trimestres do ano, respectivamente.

Vale lembrar que o IGP tem metodologia diferente do IPCA, o índice oficial de preços. O indicador da FGV é formado por três outros índices com pesos diferentes: o IPA (índice de preços do atacado) representa 60%, o IPC (índice de preços do consumidor), 30%, e o INCC (índice nacional de custo da construção) fica com 10%. O IPA acelerou 1,29% em agosto, o IPC, 0,88% e o INCC, 0,79%. O IPCA-15, prévia da inflação, deve ser divulgado pelo IBGE na próxima semana.

O impacto nos alimentos vai de encontro com a visão do mercado financeiro para inflação. Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, a inflação oficial deve ficar em 7,05% no final de 2021, muito acima do teto da meta, que é de 5,25% para este ano. Assim, o mercado estima aceleração contínua da Selic, a taxa básica de juros, utilizada para conter os preços e que, segundo os analistas, deve subir para 7,5% ao ano ao fim de 2021. Atualmente, a taxa está em 5,25%.

Continua após a publicidade
Publicidade