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Nova regra do rotativo entra em vigor; tire suas dúvidas

As novas regras do rotativo do cartão de crédito entram em vigor nesta segunda-feira

As novas regras do rotativo do cartão de crédito entram em vigor nesta segunda-feira. Estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), as novas regras tem como objetivo diminuir o endividamento no cartão de crédito, que possui as taxas mais altas para o consumidor – juros chegam a 490% ao ano.

A partir de agora, os consumidores que não conseguirem pagar integralmente a tarifa do cartão de crédito só poderão ficar no crédito rotativo por 30 dias.

Para se adequar às exigências, cada banco tem liberdade para definir como implementará a medida. Para Ione Amorim, economista-pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a falta de uniformidade de regras pode ser prejudicial ao consumidor.

“A medida é um começo, mas não é o melhor. Sem as regras universais entre as instituições financeiras, há uma complexidade no controle da fatura. É um processo de acompanhamento de dívida complicada para o consumidor”.

O Idec encaminhou carta para o Banco Central (BC) apontando o que considera como pontos fracos da nova regra. A instituição também prometeu monitorar o mercado, sugerir alterações necessárias e incluir no site as perguntas e respostas mais comuns sobre o assunto.

“Falta educação financeira, falta aprimoramento da norma. Precisamos de um trabalho forte para ensinar as pessoas a não usar o cartão usando o mínimo”, conta Ione. “As pessoas não se descontrolam por falta de pagamento e sim por causa dos juros cobrados”.

Já o diretor-executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Jose Ribeiro de Oliveira, vê como positivas as mudanças.

“O consumidor estará saindo de uma linha de crédito do rotativo que possui juros média de 15% ao mês para um um parcelamento que deve ter taxas de cerca de 8% ao mês. Ou seja, trocando uma dívida cara por outra mais barata”, disse.

Abaixo, o Idec responde a algumas perguntas sobre a mudança:

O que é crédito rotativo do cartão de crédito?

É uma modalidade de crédito com taxa pré-fixada, que incide sob o saldo. O crédito é renovado a cada 30 dias quando o cliente efetua apenas o pagamento mínimo da fatura.

Como ele funciona?

O consumidor efetuava a compra e ao fazer o pagamento mínimo na data do vencimento, entrava no crédito rotativo. O saldo restante ficava no rotativo. No próximo vencimento, o saldo restante é corrigido pela taxa do crédito rotativo.

 O que muda a partir deste mês de abril?

O pagamento mínimo com uso do rotativo só poderá ser usado uma única vez. Se o cliente não pagar integralmente a fatura, o saldo remanescente deverá ser quitado integralmente ou parcelado. Do contrário, será considerado inadimplente e o valor da conta, acrescida de encargos.

O que acontece com quem está acostumado a rolar dívida no cartão de um mês para outro?

Esses clientes devem ficar atentos ao vencimento da fatura para decidir o tipo de parcelamento, a não manifestação dará ao banco a decisão automática de parcelar. A dívida será corrigida por juros menores do que o rotativo, reduzindo o potencial de crescimento da dívida. Mas é preciso cuidado, longos parcelamento também encarecem as dívidas.

O parcelamento da dívida é uma boa escolha?

O parcelamento da dívida é uma alternativa menos cara que o rotativo, mas não é a melhor opção, o consumidor deve sempre tentar pagar a fatura integralmente. O banco nem sempre oferece a melhor opção para o cliente, então é preciso fazer uma pesquisa prévia das taxas de juros.

É melhor escapar do rotativo ou parcelamento?

Sim, é importante evitar essas linhas de crédito. Mesmo que a taxa de juros do parcelamento seja inferior ao do rotativo, ela ainda é alta. O consumidor não deve demorar muito tempo para quitar a dívida. Quanto mais tempo de exposição, mais fácil é chegar ao endividamento. A diferença é que no rotativo o endividamento é de curto prazo e no parcelamento, a médio ou longo prazo.

Como os bancos estão se adaptando à mudança?

Os bancos terão liberdade para criar suas próprias regras, a maioria oferece uma opção de parcelamento automático para quem não quita todo o saldo do cartão naquele mês.

Para o Idec, a mudança prejudica ou beneficia o consumidor?

A mudança é necessária, mas precisa de aprimoramento. A gestão da fatura fica mais complexa. E o parcelamento, por exemplo, tem lógica próxima ao pagamento mínimo. É preciso um estudo mais aprofundado do perfil do consumidor que usa essa modalidade para que se possa melhorar as normas.

Comentários

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  1. Ex-microempresário

    Para mim, “a falta de uniformidade de regras pode ser prejudicial ao consumidor.” significa “oh, coitadinho do consumidor vai ter que tomar decisões, não pode, o papai estado tem que dar tudo mastigadinhado prá ele!”
    Por isso que esse país não evolui. Querem tratar todos os cidadãos como crianças de onze anos que não podem tomar decisões por si mesmas.

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