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Oi aceita Portugal Telecom, mas apenas como minoritária

Para diretor de RI, entrada da PT não "desmente a história da empresa brasileira". Analistas dizem que a operadora se tornou dependente do governo

Por Da Redação - 21 jul 2010, 12h29

Para os economistas, a Oi é beneficiada por financiamentos do BNDES em condições privilegiadas e decisões ‘inéditas’ da Agência Nacional de Telecomunicações

A diretoria da Oi declarou nesta quarta-feira que não há oposição à entrada da Portugal Telecom (PT) em sua estrutura de capital. “Se vier (a PT), é mais um acionista que é bem-vindo. Não desmente a história da empresa brasileira. Essa é uma ideia antiga de que o capital tem pátria”, disse Alex Zornig, diretor de Relações com Investidores da Oi. “A grande empresa brasileira está sendo construída pelos brasileiros. Pode ter acionistas estrangeiros, desde que não divida o controle”, afirmou.

O executivo fez questão de deixar claro, porém, que desconhece qualquer negociação entre as duas empresas. Frisou também que, caso existisse, ocorreria em outro nível: no bloco de controle, o que foge à sua esfera de atuação.

Dependência do governo – Fontes do mercado veem a possibilidade de entrada da PT na Oi como prova de que a estratégia da aprovação da compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi para a formação de uma supertele nacional, na verdade, não foi tão bem-sucedida.

Na visão de alguns especialistas, a operadora brasileira tornou-se extremamente dependente das “benesses” do governo, tanto por meio de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em condições privilegiadas, quanto por meio de decisões “inéditas” da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A mais recente foi a autorização para que a Oi não tenha de devolver o código de longa distância 14, que pertence à Brasil Telecom. Essa condição havia sido imposta na época da anuência prévia, que deu o sinal verde da agência para a concretização do negócio entre as concessionárias.

Anatel rebate críticas – A Anatel rebateu nesta quarta-feira as críticas de fontes do mercado de que esteja direcionando suas decisões em benefício da Oi. “A Anatel atua dentro da legalidade e suas decisões têm como únicos propósitos o benefício e o desenvolvimento de todo o setor de telecomunicações do país e o respeito aos direitos dos usuários. As decisões de cunho regulamentar são sempre submetidas a amplo debate da sociedade e visam, em especial, a ampliação da oferta de serviços”, afirma a nota.

(com Agência Estado)

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