Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

OGX confirma rompimento de contrato da Petronas

Empresa malaia tinha um acordo de participação de 40% nas concessões dos blocos BM-C-39 e BM-C-40; desistência complica prognóstico para OGX

A OGX, empresa de petróleo e gás do grupo EBX, confirmou nesta segunda-feira ter recebido da malaia Petronas notificação sobre rescisão de contrato relativo à venda de participação de 40% nas concessões dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, localizados na Bacia de Campos. A notícia havia sido adiantada pelo jornal Valor Econômico há pouco mais de duas semanas. Em fato relevante, a OGX disse que submeteu o assunto à análise de seus advogados e que está avaliando a “adoção das medidas legais cabíveis” contra a Petronas.

A empresa de Eike Batista anunciou meses atrás acordo com a companhia malaia para vender sua participação nos blocos, incluindo o campo de Tubarão Martelo, além de acumulações Peró e Ingá, na Bacia de Campos, por 850 milhões de dólares – a maior parte do valor só seria desembolsado quando o campo começasse a produzir.

O campo é uma das alternativas da petroleira, que no final de outubro entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, para gerar receita num momento em que enfrenta sérias dificuldades de caixa. Com dívida de 11,2 bilhões de reais, a companhia pretendia arrecadar 17,2 bilhões nos próximos anos com a exploração dos blocos que lhe restam.

Leia também:

Acordo com Petronas deve ir para arbitragem, diz OGX

O rompimento cria um problema, talvez, incontornável para a petroleira de Eike Batista. Em Tubarão Martelo, a petroleira queria começar a produzir em meados de novembro, a fim de gerar receita para atenuar sua situação. O valor atribuído à toda OGX, de acordo com o plano apresentado aos credores dias atrás, é de 2,7 bilhões de dólares – composto principalmente pelos campos de Tubarão Martelo (1,4 bilhão de dólares) e Atlanta (1,1 bilhão de dólares). Resta saber se a petroleira conseguirá produzir sem o apoio financeiro da Petronas.

Já estava escrito – No início de outubro, a OGX informou ao mercado que as reservas prováveis de Tubarão Martelo são um terço do volume total recuperável estimado inicialmente pela companhia. A reserva provável é quando a empresa identifica indícios de que há 50% de chance do óleo ser comercialmente viável, enquanto as possíveis só apresentam 10% de probabilidade. Segundo a consultoria Degolyer & McNaughton, o campo possui reserva provável de 87,9 milhões de barris de óleo equivalente (boe) e possível de 108,5 milhões de boe. A consultoria, porém, não encontrou nenhuma reserva provada, ou seja, que tenha mais de 90% de chance de ser comercializável.

Desde então, os rumores de que a Petronas já teria desistido do acordo só aumentam. Segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, os executivos da petroleira malaia não queriam nem negociar diretamente com Eike depois que os porta-vozes da OGX que comandavam as conversas foram demitidos – o ex-presidente Luiz Eduardo Carneiro e o ex-diretor jurídico, José Faveret. O empresário já tentou falar até com o primeiro-ministro da Malásia para resolver o impasse, mas não foi teve sucesso.

(Com Reuters)