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Odebrecht tem contratos investigados em três países

Após prisão de Marcelo Odebrecht, Peru, Equador e Panamá anunciam investigação dos contratos

Por Da Redação 6 jul 2015, 14h03

Após a prisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, por suposto envolvimento no petrolão, três países – Peru, Equador e Panamá – instauraram auditorias para investigar contratos firmados com a maior empreiteira do país. Com isso, já são seis investigações formais em curso contra a companhia, que tem obras em 18 países. Antes, a Odebrecht já era alvo de auditorias em Portugal, Itália e Suíça. A soma não contabiliza as denúncias feitas por ONGs anticorrupção em países como República Dominicana e Angola. As informações foram veiculadas nesta segunda-feira pelo jornal O Globo.

O Peru anunciou a abertura das auditorias, no dia 23 de junho, em 15 contratos da Odebrecht com o país. Na última quarta-feira, a Controladoria do governo peruano enviou ao Ministério Público cinco relatórios de auditoria produzido em obras da Odebrecht nas rodovias Interoceânica Norte e Sul, que demandaram mais de 600 milhões de dólares em investimentos.

O controlador peruano, Fuad Khoury Zarzar, indicou uma série de irregularidades nos contratos, entre elas concessões de projetos à Odebrecht que não cumprem os requisitos legais e técnicos necessários do país. Zarzar ainda aponta para problemas de qualidade na construção da rodovia, como pavimento de espessura menor e presença de rachaduras. Segundo reportagem, a controladoria peruana ainda informou que a partir do relatório enviado para o país iniciará uma investigação para saber se há envolvimento de funcionários públicos para a concessão da via.

Em nota, a Odebrecht negou as irregularidades, dizendo que as investigações não encontraram nenhum elemento ou indício que corroborasse as denúncias, e que cumpriu todos os procedimentos legais nos contratos com o poder público do Peru.

Empréstimos do BNDES – De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, obras financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no exterior e executadas pela Odebrecht tiveram um salto a partir de 2007, no segundo mandato do ex-presidente Lula.

Entre 1998 e 2006, segundo dados informados pelo banco, o BNDES financiou, em média, 166 milhões de dólares anuais em empreendimentos da Odebrecht fora do Brasil.

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Em 2007, o valor saltou para 786 milhões de dólares. Até 2014, a média anual foi de 1 bilhão de dólares, quase seis vezes mais que no período anterior. De janeiro a abril deste ano, o banco estatal liberou mais 660 milhões de dólares para obras da empresa fora do país. A Odebrecht fez obras em 11 países com, pelo menos, 31 bilhões de reais liberados pelo BNDES desde 1998.

Em nota, a Odebrecht afirmou que os financiamentos do BNDES correspondem a apenas 14% do faturamento da construtora no exterior, sendo que os outros 86% se referem a empréstimos obtidos com outras entidades de fomento, como Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e bancos de fomento japoneses e norte-americanos.

(Da redação)

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